Arquivo do mês: novembro 2008

Hoje eu estou irritado!

Hoje eu estou irritado. É, você pode até pensar, “mas esse cara tá sempre irritado”, e é isso mesmo, eu estou sempre irritado, então, eu posso começar esse texto dizendo que hoje eu estou irritado. E se eu digo que eu estou irritado, é que eu estou irritado mesmo. Sabe por que? Por nada. Ou melhor, por tudo. Nenhuma coisa em particular me irritou neste sábado de manhã, mas a questão, na verdade, é que tudo me irrita. Aí você pensa: “ih, esse cara acordou com o pé esquerdo”. Não, eu não acordei com o pé esquerdo. Acordei com os dois pés. Eu verifiquei e não estava faltando nenhum. Depois fui pra padaria comprar pão. Que saco. Aquele monte de funcionário falando: “bom dia!”, “bom dia”. Bom dia o que? Me dá um motivo pra dizer que esse dia vai ser bom.

Aos sábados, antigamente, eu gostava de ver futebol. Só pra poder xingar todo mundo que nem um louco. Mas hoje em dia? Não passa um jogo do meu amado Juventus, da Moóca, na televisão. Que preconceito é esse? Só porque o Moleque Travesso não tá na primeira divisão? Garanto que ia dar muito mais audiência do que jogo do Ipatinga. De sábado eu também gostava de ir na feira do bairro. Até o dia em que tomei a faca da mão do vendedor de frutas, coloquei no pescoço dele e falei: “da próxima vez que você falar “mulher bonita não paga, mas também não leva” ou qualquer outra frase com esses trocadilhos imbecis, eu corto o seu pescoço”. Virou a maior confusão. Quiseram me linchar e eu saí correndo. Isso foi mais ou menos em 1973 e depois disso passei a evitar de ir na feira. Lugar perigoso esse. E de sábado, antigamente, passava telectatch na televisão. É. Luta Livre. Gigantes do Ringue. Saudades do Ted Boy Marino e do Fantômas. E hoje? Hoje passa Zorra Total. Como pode? Eu desafio. Dou todo o dinheiro da minha aposentadoria pras criancinhas pobres se aquele programa imbecil conseguir me fazer dar uma risada. Umazinha sequer. Impossível. Bom, é por essas e outras, que hoje em dia, quando vou na padaria no sábado de manhã, vou com um radinho de pilha com fones de ouvido no volume máximo. Curtindo a saudosa rádio Tupi AM. Assim, quando chego na padaria, só vejo os funcionários mexendo a boca. Não escuto mais ninguém me desejando bom dia. Afinal, hoje é sábado e eu sei que ele não vai ter nada de bom.

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Não Faça Média Comigo – Parte 2

Pensando nesse assunto sobre pessoas que fazem média – o que não é o meu caso – passei a refletir o quanto eu odeio aquelas conversas estúpidas de elevador. No meu caso, essa conversa começa sempre com a outra pessoa, pois eu não vou ficar puxando papo só porque tem outro morador do prédio no mesmo elevador que eu. Então, é sempre aquela coisa:
– Tempo maluco hein.
– É. – respondo, seco.
– Já fez sol, já fez frio, e agora parece que vai chover.
– Pois é.
– É sempre assim. Faz sol, faz calor, e chega no final de semana só chove.
– É verdade.
Porra!! Será que pelas minhas respostas não deu pra perceber que eu não estou afim de conversar simplesmente pela conveniência de ter que falar alguma coisa? Se não tem nada de importante pra falar comigo, simplesmente não fale.
Como num outro dia, quando esperava o elevador e chegou um vizinho com uma cheirosa pizza na mão. Imediatamente, ele perguntou se eu estava servido. Mas é óbvio que ele ofereceu por educação, pois ele não iria abrir a pizza na minha frente e nem estava me convidando pra ir na casa dele jantar. E, por educação, a outra pessoa normalmente diz “não, obrigado, bom apetite”. Mas não quando se trata de Walmor Salgado. E foi nessa ocasião, então, que eu aprontei mais uma pra deixar o meu dia bem menos rabugento. Foi mais ou menos assim. Tudo começou com o vizinho com a pizza na mão:
– Opa, Seu Walmor. Tá servido? Vamos jantar?
Sem pensar, eu respondi:
– Opa, vamos sim!! Eu tava com fome mesmo.
O cara imediatamente arregalou os olhos e tentou disfarçar, como pensando: “caramba, e agora?”. O elevador chegou, nós dois entramos, ele apertou o botão do andar dele e eu não apertei o meu, dando mais um sinal de que eu aceitara o convite. O vizinho ainda tentou disfarçar o nervosismo:
– E aí, muita correria?
Aquele velho papo de elevador… Respondi que sim e então o elevador chegou no andar do meu vizinho. Já sem ter escapatória, ele disse então com a maior educação.
– Vamos então, seu Walmor, comer essa pizza?
– Não, eu não vou não. Era brincadeira.
– Não, vamos sim. Eu faço questão.
– Obrigado, mas na verdade eu já jantei. Foi só pra brincar– concluí, morrendo de dar risada por dentro.
Apertei então o botão do meu andar e, assim que a porta do elevador fechou, comecei a rir sem parar e pensei comigo: “esse nunca mais vai oferecer as coisas só por educação. Entendeu? Se eu estou com uma pizza e você pegou o elevador comigo, eu não quero que você vá na minha casa e nem que você coma minha pizza, por isso, eu jamais vou dizer: “e aí, tá servido?”. É por isso que eu digo: Walmor Salgado não faz média. E é por isso que eu insisto:
Não façam média comigo!!!!

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Não Faça Média Comigo

Apesar de achar criança um pé no saco, elas têm uma coisa muito interessante que os adultos não têm. Criança não faz média. Quando uma criança recebe um presente que não acha legal, ela imediatamente faz uma cara feia e deixa claro que não gostou. O adulto não, disfarça e diz com a maior falsidade: “nossa, que legal… adorei”. E por aí vai… E foi pensando nisso, ou melhor, foi sem pensar muito que eu me tornei uma pessoa assim… Já há muitos anos eu não faço média com as pessoas. Quando chegava de mau humor no trabalho, permanecia com a maior cara de azedo e não dava sorrisinhos pra ninguém. Vou me esforçar pra ser simpático pra que? Mas o mais legal nesses momentos é quando alguém vem falar com você e você responde tudo de forma seca, apenas o necessário, e dá uma de mala na cara dura. Isso aconteceu muitas vezes comigo na redações dos antigos jornais por onde passei:
– Oi Walmor, tudo bem?
– Tudo.
– Nossa, que bom humor hein.
– O que você quer? Veio até minha mesa e me cumprimentou, então, você veio pedir alguma coisa.
– Nossa, que grosseria… Deixa pra lá.

Nessa hora, a pessoa espera que você contorne a situação e diga: “não, espera aí, o que você quer?”. Mas comigo não. Eu continuava olhando fixamente pra algum papel na minha mesa ou continuava datilografando na minha máquina de escrever. Sem a mínima preocupação em ser simpático. Muitas vezes, escutei, de rabo de orelha, a pessoa comentar: “nossa, que energia negativa desse cara… já estragou meu dia”.

Demais!! Tem jeito melhor de começar um dia de trabalho?

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Os Sete Dias da Semana – Odeio Todos

Apesar de eu ser um velho rabugento, eu gosto de algumas coisas. Por exemplo, do Garfield. Eu gosto do Garfield. Isso porque ele é mau-humorado. O mundo precisa de mais mau-humorados. Uma coisa legal do Garfield, é que ele odeia as segundas-feiras… Eu também odeio as segundas. Mas também odeio as terças, as quartas e todos os outros dias da semana… Aí chega o sábado. Que saco. Eu acordo tarde e quando resolvo dar uma volta, já é tarde demais. O comércio fecha meio-dia e não dá pra eu comprar nada que eu tinha me programado. Aí eu penso em ir no shopping, mas sei que vai estar lotado e que vai ser um saco procurar lugar pra estacionar o carro. E dentro do shopping vai estar cheio de gente. Eu odeio gente. Principalmente se estiver muito perto de mim. Sai pra lá… E no sábado à noite também não dá pra sair, porque as ruas ficam cheias de garotinhos juvenis fazendo baderna, dirigindo alcoolizados, correndo no trânsito e pondo minha vida em perigo… Mas às vezes, alguns deles acabam levando enquadro da polícia… Aí eu me divirto… As molecadas levando aquela geral, e o policial perguntando:
– “Cadê o bagulho moleque?”
E os moleques se cagando todos:
– “Não seu guarda, não tem bagulho nenhum aqui”
– Seu guarda? Você me chamou de seu guarda? É senhor!! Me chama de senhor, porra!!

Ah, como eu gostaria de ser um polícia de vez em quando… Desses bem folgados… Só pra apavorar esses garotinhos juvenis criados a leite com pêra e ovomaltino. Principalmente os playboyzinhos que se acham malacos. Eu ia ficar só nos berros:
– “Eu vou ligar pra sua mãe, moleque!! Ela vai ter que te buscar no DP” – só pra ver os moleques chorando:
– “Não seu guarda, pelo amor de Deus, minha mãe não”
– Seu guarda? Você me chamou de seu guarda?..
Aí já viu né… Viva o Capitão Nascimento!

Ah, eu estava falando dos dias da semana. Odeio todos. Mas faltou o domingo. Existe dia pior que o domingo? Domingo é o dia que te avisa que o fim-de-semana está acabando. Domingo não tem nada aberto. Os parques ficam lotados (e pra piorar agora tem zona azul no Ibirapuera). E dependendo do lugar, você vai ter que deixar quinzão no estacionamento ou largar com um flanelinha filho da puta. Se eu pudesse, atropelava todos… E domingo também é cheio de motoristas barbeiros nas ruas. Todo mundo faz cagada no trânsito partindo do princípio que no domingo tudo é mais tranqüilo. Então o pessoal passa no vermelho, dirige falando no celular, dirige com cachorro no colo, ou com criança no colo, ou com criança e cachorro no colo. E tem gente que aproveita pra aprender a dirigir no domingo. Sai da minha frente, porra!! Que saco. E no domingo a televisão também é um saco. Gugu, Eliana… Mas pelo menos tem o Faustão. O que? Você não gosta do Faustão? Pô, o cara passa o programa inteiro reclamando, dando esporro na equipe, dando esporro no diretor. Isso é demais!! Pra mim a televisão seria muito melhor se todo os apresentadores só reclamassem, desses esporros. Chega de bom-mocismo, de sorrisinhos e boas mensagens. A gente precisava do Alborghetti o dia inteiro na TV. Já pensou, igual no SBT, em que o Silvio apresenta vários programas na seqüência, mas, em vez disso, o Alborghetti apresentando um show atrás do outro. Meu domingo seria bem melhor. Aliás, outro dia vi uma propaganda da revista Capricho na tv com uma tal campanha “Por um mundo mais Pink”… Porra: um mundo mais pink? Que merda é essa? A minha campanha é a seguinte: “Por uma televisão mais rabugenta! Por um mundo mais rabugento!” Sai pra lá bom humor, que hoje é quarta-feira e eu não estou pra brincadeira.

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A arte do apavoro

Pois é, inventei de entrar pra esse tal de blog e já fiquei, como diria meu ídolo Alborghetti, puto da cara. Pô, só agora que eu comecei é que me falaram que eu tenho que atualizar esse troço todo dia, senão as pessoas param de ler. Que saco. Blog é coisa de quem não tem o que fazer. Se bem que esse é o meu caso. Se eu tivesse o que fazer, não teria tempo pra escrever nessa joça. Mas aí você pensa: “mas o que esse cara chato faz da vida?”. Eu fico procurando coisas pra poder implicar. É só algum carro buzinar na frente da minha janela que eu já saio pra xingar. No ônibus ou no metrô, eu fico torcendo pra algum zé-mané ficar parado na frente da porta, só pra eu poder dar uma de estúpido: “ô, caralho, olha a passagem de gente, porra!!”… Já nos fins-de-semana, eu gosto mesmo é de apavorar a molecada que joga bola na frente da minha casa… Legaaaaaalllll… Como é legal dar um apavoro nas crianças… Mais uma vez, incorporo o Alborghetti e saio na janela já com sangue nos olhos e muito ódio no coração: “Puta que pariu!! Vocês vão ficar jogando essa porra dessa bola na porra do meu portão na porra de um domingo que foi feito pra descansar? Eu vou ter que arrancar o fígado de um filho-da-puta pra acabar com essa porra aqui na frente da minha casa!!”… E olha, funciona… A molecada vai jogar em outro lugar e eu fecho a janela bem mais calmo… Ahh, como é bom ser rabugento. E você, já apavorou alguma criança chata hoje?

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Rir é o pior remédio

Dizem que rir faz bem pra saúde. Eu não vi a menor graça nessa história. Era só o que faltava agora. Rir de qualquer coisa só porque rir faz bem. Faz favor, né. Me dá um motivo pra rir. Mas um bom motivo mesmo. E não me venha com showzinhos de comédia. Porque, na boa, o humor me deixa de mau humor. Anda muito sem graça. A moda agora é a tal da stand up comedy. Pra mim, isso é patético. Os caras pegam qualquer assunto e contam como as coisas do cotidiano relacionadas a esse assunto são – hipoteticamente – engraçadas. Na TV, um novo fenômeno do stand up começou seu texto: “Banheiros de locais públicos sempre nos deixam em situações complicadas, né?… E a manobra que você tem que fazer pra mandar um número 2 sem encostar na privada?… E o papel pra enxugar a mão, que está cada vez menor… E ainda vem com aviso: “use apenas uma folha”…” Na boa, se isso é uma situação do cotidiano, eu sei disso. Não precisa ninguém me falar. E isso não vai me fazer rir. Por isso que não gosto de stand up comedy. Não precisa me falar sobre situações do cotidiano. Se são do cotidiano, eu já sei por conta própria. E tem gente que paga pra ver esses caras contando essas mesmas histórias num teatro. Ah, faça-me um favor… Só de começar a escrever sobre isso, já fiquei irritado. É isso mesmo. Mas eu não digo que eu nunca dou risada… Algumas coisas me fazem rir… Como por exemplo, ver as pessoas levarem tropicões na rua. Isso é demais!! E a cara de sem-graça que a pessoa faz, tentando se levantar logo e fingir que nada aconteceu… É demaissss!! Pior ainda quando alguma pessoa prestativa chega logo pra ajudar a pessoa que caiu. O acidentado fica mais sem-graça ainda, pois ele passa a ter a certeza que sim, todo mundo viu o capote… Essas situações podem tirar um pouco do meu mau-humor cotidiano.. Como num outro dia, quando escutei uma conversa entre taxistas num ponto… Um senhor branco, barrigudo e bonachão disse pro seu companheiro de trabalho franzino, de pele morena queimada de sol e chapéu branco, no estilo malandro carioca:

– Sabe uma coisa que é patética?

– O que?

– Uma moto batendo na outra. Não tem nada mais patético. Os caras fazem aquela fila no trânsito, aí o da frente vacila e começa aquele strike. Os de trás vão caindo, outros tentam desviar. É patético. – concluiu já com um grande sorriso no rosto o tiozinho bonachão.

Realmente. Deve ser engraçado mesmo. Infelizmente não tive a oportunidade de presenciar uma cena dessas. Mas garanto que quando vir, vou gargalhar em voz alta. Não vai ter como me segurar. Que nem naquela música imbecil do Falamansa, eu prometo rir à toa. Prometo rir no estilo Papai Noel, com a mão na barriga e fazendo ho-ho-ho… Mas enquanto eu não tenho a sorte de ver uma cena dessas, sigo nutrindo a rabugisse do meu mau humor. E você? Ta rindo do que? Tenho cara de palhaço por acaso?

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