Arquivo do mês: janeiro 2009

Letra comentada – A grande asneira de Tim Maia

Estava eu ouvindo um LP do saudoso Tim Maia quando notei que, apesar de ser um gênio, ele escrevia umas letras bem incoerentes… Desculpe, saudoso mestre, mas achei um absurdo a letra dessa música… Vou escrevê-la aqui e colocar meus comentários em seguida:

Tim Maia – Não Quero Dinheiro (como assim, “não quero dinheiro”? já começou mal)

Vou pedir pra você voltar
Vou pedir pra você ficar
Eu te amo!
Eu te quero bem…
(“era só o que me faltava, pedir pra alguém voltar, pedir pra alguém ficar… eu sou orgulhoso, não peço nada pra ninguém“)

Vou pedir pra você gostar
Vou pedir pra você me amar
Eu te amo!
Eu te adoro, meu amor!
(“declarações de amor não combinam com a minha pessoa… e também não quero que ninguém me ame”)

A semana inteira
Fiquei esperando
Pra te ver sorrindo
Pra te ver cantando
(“esperando pra te ver sorrindo? sai pra lá alegria, até parece que eu vou querer alguém sorrindo e cantando perto de mim… se fizer isso, já leva logo um tabefe na cara!”)
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar

Se quer amar (“como assim? quando a gente ama não pensa em dinheiro?? e você vai pagar as coisas pra outra pessoa como? eu penso em dinheiro sim… dinheiro sim, amor não”)
De jeito maneira
Não quero dinheiro
(“não quero dinheiro?? pô tim maia, você estava doidão quando escreveu essa letra?”)
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!…
(“no dia em que eu sair gritando ao mundo inteiro que eu não quero dinheiro e só quero amar, vocês podem me internar… ou já ir preparando meu velório… provavelmente eu estarei tendo alucinações pré-morte”)

Te espero para ver
Se você vem
Não te troco nesta vida
Por ninguém
Porque eu te amo!
Eu te quero bem…

Acontece que na vida
A gente tem
Que ser feliz
Por ser amado por alguém
(“a gente tem que ser feliz e amado por alguém? eu quero é mais que as pessoas esqueçam que eu existo… amor eu já tive da minha mãe e já foi o suficiente)
Porque eu te amo
Eu te adoro, meu amor!…

É, Tim Maia…  Essa letra, pra mim, deve ter sido escrita num momento de grande alucinação da sua pessoa… Admiro sua rabugisse, principalmente no palco… Mas essa letra, definitivamente, não foi feita para mim… Aliás, acho que quase nada no mundo foi feito para mim. Me sinto um extraterrestre nessa terra de “gentes normais”

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A Hora do Pesadelo!!!!

pesadelo

Essa noite eu sonhei… Na verdade, tive um pesadelo… Daqueles em que você acorda de repente, todo suado, e pensa instintivamente: “nossa, ainda bem que era só um sonho”… E tudo aconteceu mais ou menos assim:

Como em muitos sonhos, esse começou bem confuso e tumultuado. Eu estava no meio de uma multidão. Era muita gente. Um mar de gente. E elas estavam animadas. Muito animadas. E suadas. Muito suadas. E elas pulavam. E esbarravam em mim. E me melecavam de suor. Era muito ruim. Eu me sentia um bicho acuado no meio de uma multidão insandecida. Era pior que filme de terror. Era um pesadelos daqueles. Eu sonhei que estava no meio de uma micareta!!!!

Pausa dramática. Respira fundo. Só de lembrar, já me falta o ar. “Ô muié, cadê minha bombinha de asma?!”

Corta. Volta pro sonho. Aquilo era desesperador. As pessoas usavam umas faixas na cabeça. E umas camisetas verde-limão. Pareciam estar no momento mais feliz de suas vidas. Pulavam abraçadas!

Meu sonho era tumultuado. Às vezes, tudo parecia estar em câmera lenta. E com flashes disparando rapidamente. Como uma luz estroboscópica. Eu acotovelava as pessoas que esbarravam em mim. Tentava sair do meio daquela multidão mas não conseguia. O mar de gente não acabava. Pra qualquer lado que eu ia, nunca achava a saída. Como se estivesse no meio de um deserto sem saber pra que lado ir. Aquilo era pior que o Saara. Eu não conseguia escapar. E o pior: isso tudo acontecia ao som do Axé Music. A cada momento eu me desesperava mais. E, no auge da adrenalina, eu acordei!

Minha respiração era ofegante. O coração estava acelerado e o suor escorria gelado em minha testa. Caramba! Que pesadelo! Eu me vi no meio de uma micareta! Mas tudo não passou de um grande vacilo. Eu cochilei na poltrona e a televisão estava ligada na TV Plin-Plin. E eles transmitiam um tal de “Festival de Salvador”. Naquele momento em que eu acordei, estava tocando um tal de Chiclete com Banana.

“Caramba, mulher!! Eu já não falei pra desligar a tv quando eu pego no sono na minha poltrona!!”

Tá vendo só. Se eu tivesse apagado ouvindo um LP do Cauby, eu só teria doces sonhos… Conceiçãããããão, eu me lembro, muito beeeeem…..

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Mil visitas ao site… E a falta do que fazer…

Pois é… E eis que o Diário de Um Rabugento chega às mil visitas… Em pouco mais de um mês de existência… E é nessas horas que eu penso: como as pessoas andam sem ter o que fazer.

Eu comecei a escrever nessa joça pra ocupar um pouco do meu tempo de jornalista aposentado. E é incrível como as pessoas se identificam com esses casos reais da minha vida de rabugento. Muita gente diz assim: “Poxa Walmor, eu gosto do que você diz porque, muitas vezes, já quis fazer a mesma coisa mas não tive coragem”. Ué? Não teve coragem? Por que? A partir de agora, não passe mais vontade. Tenha coragem! Fale em voz alta, brigue, discuta, dê escândalo e, principalmente, expresse suas idéias. O mundo moderno não dá vez para os bananas. Se você não falar o que você acha, ninguém vai saber. Se você falar baixinho, com medo, não vão te respeitar. Por isso, diga o que você pensa! E diga em alto e bom som!

Mas enfim. De volta ao começo. As 1000 visitas ao site. Eu sei que tem site que consegue muito mais que isso em apenas um dia. Mas ainda bem que isso não acontece no meu. Já pensou? Dezenas, centenas de internautas enchendo meu saco todos os dias? Não!! Os poucos que escrevem aqui já são o suficiente pra torrar minha paciência diariamente. Mas às vezes é pior. As pessoas vem falar comigo nas ruas! Então, escute, você, que está lendo isso. Não venha falar comigo na rua. E, principalmente, não me segure pelo braço. Já enfiei o guarda-chuva na cabeça de uns dois ou três que chegaram me cutucando ou me segurando pelo braço. Depois eles disseram que eram meus fãs. Mas pra mim tanto faz. Encostou em mim, leva guarda-chuvada. Por isso, pelo bem da sua saúde, mantenha comigo apenas o contato virtual. E, se possível, nem o virtual. Esqueça que eu existo. Como dizia o Tim Maia: o que eu quero é sossego.

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Parabéns São Paulo!!!

Neste último domingo aconteceu essa grande babaquice também conhecida como “o aniversário de São Paulo”. E desde quando cidade comemora aniversário? E no caso de São Paulo, então? O que a gente tem pra comemorar?

Ok, ok, não me apedrejem… Eu sei… As pessoas adoram essa cidade… É isso aí!! São Paulo é demais!!

O pessoal costuma falar que São Paulo é a cidade das oportunidades. E é verdade. É só você sair na rua que você tem várias oportunidades… Oportunidade de ser assaltado, de ser seqüestrado, de arrumar uma briga no trânsito… Só em São Paulo você tem também a oportunidade de pegar um trem completamente abarrotado de gente… E de pegar um engarrafamento em plena madrugada… Me fala?? Em que outra cidade você pode ficar preso num congestionamento às 3 da manhã? Só em São Paulo mesmo.

Tem gente que diz que se orgulha de São Paulo. Eu já tentei várias vezes sentir esse orgulho. Daqueles de encher o peito. Até tentei. Várias vezes, assim que acordei, abri a janela do quarto, olhei pro sol e respirei bem fundo. Mas bem fundo mesmo. Acabei engasgado com tanta fumaça de caminhão. E nesse ponto São Paulo também é a cidade número 1 do Brasil. A campeã de poluição. E sem contar que aqui faz calor, faz frio e chove no mesmo dia.

E depois disso tudo, os caras ainda me inventam de comemorar o aniversário da cidade com shows gratuitos. De Daniela Mercury, Paula Toller e Lulu Santos. Aí é sacanagem. Deve ser de propósito, pra ferrar mesmo os moradores dessa cidade.

Ah, e esqueci. Aqui também tem alagamentos, tem rios poluídos, muito barulho, ônibus caro, taxi caro, cinema caro, polícia violenta, e muita, muita gente chata. Como tem gente chata por aqui. Em proporções gigantescas.

Mas aqui também tem uma coisa boa. E eu te digo o que é. Chama-se “Rodoviária do Tietê”. É lá que, sempre que eu posso, eu pego um ônibus pra bem longe daqui. E quem sabe, um dia, eu pego um desses ônibus com passagem só de ida. Pra nunca mais voltar…

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Top 10 do Walmor – … and the winner is…

Hoje eu queria falar sobre essa chatice de aniversário de São Paulo. Mas eu prometi que ia anunciar o vencedor do Top 10 do Walmor. Então eu falo de São Paulo amanhã. E quanto ao primeiro lugar do meu ranking… Você tinha alguma dúvida de quem iria ganhar? Oras bolas!! É claro que sou eu…

1. Lugar – Walmor Salgado

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A pessoa que eu mais gosto no mundo sou eu. Quando penso o quanto gosto de mim, já me lembro de um conjunto de rock que meu filho ouvia muito nos anos 80, o Ultraje a Rigor: “Eu me amo, eu amo… Não posso mais viver sem mim”.

Quer dizer, na verdade, eu não gosto tanto assim de mim. É que eu desgosto tanto dos outros que a pessoa que eu menos desgosto sou eu mesmo. Mas tudo bem, eu sei que eu sou um mala. Um mala sem alça. Daqueles que quando entra numa discussão não dá o braço a torcer por nada. Quando eu entro numa discussão, eu consigo ser chato. Que nem quando a gente vai numa repartição pública, pega 15 filas, 30 senhas e no fim do dia ainda vai embora sem ser atendido. Ou quando você quer resolver um negócio no banco e não consegue. Aí eu sou chato. E discuto. E faço escândalo! E começo a bater boca aos berros. Pra todo mundo ouvir e virar o maior rebuliço. E deixar as pessoas costrangidas. Algumas vezes, acabei sendo retirado do local. Carregado por dois seguranças, um em cada braço. Esses bastardos!! Me erguem no ar e ainda amassam meu terno xadrez. Mas enfim, eu gosto de mim assim. Chato como eu sou.

E nisso eu sou mestre. Sou realmente rabugento. Mas eu não queria ser de outro jeito. Eu gosto de ser assim. Não faço promessas pra mudar algo no meu jeito, pois eu não quero mudar. E, por tudo isso, eu mereço esse primeiro lugar. Eu não sou aquela cerveja famosa, mas sou o número 1. E eu já disse nesse post mas não custa repetir: “Eu me amo, eu me amo… Não posso mais viver sem mim.. o-o-0-o…”

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Top 10 do Walmor – Balanço geral

O meu ranking das dez pessoas que mais gosto está chegando ao fim. Mas antes de anunciar o primeiro lugar, gostaria de fazer algumas considerações.

Diferente de concursos em que as pessoas ficam com aquele discurso de que foi muito difícil escolher os vencedores, pra mim não foi nem um pouco. Não matutei muito e nem me prendi em critérios de desempate. Eu sei de quem eu gosto e pronto. E sei, principalmente, de quem não gosto – e olha que é gente pra caramba, quase todo mundo.

As pessoas desse ranking são todas pessoas que, assim como eu, tem o sangue quente. Que não guardam pra si o que acham. Que falam em alto e bom som, pra serem compreendidas mesmo, doa a quem doer. TÁ ENTENDENDO O QUE EU TÔ FALANDO??!! São pessoas que, de uma forma ou outra, são rabugentas. Que sabem que a vida não é bela, que rir é o pior remédio e que quem riu por último, simplesmente não entendeu a piada ou não viu motivo pra rir. 

Esqueci de algo em minha lista: de dizer o nome do vendedor de pamonhas. É o Baiano. Aprenda isso. Nunca revele o nome do seu vendedor de pamonha. Diga sempre que é o Alemão, o Baiano, ou dê algum outro apelido. Pra despistar os outros e seu vendedor continuar exclusivo. Para poucos. Obrigado, Baiano! Você é o cara!

E meu ranking, até agora, ficou assim:

  • 10 – Derci Gonçalves
  • 9 – Alborghetti
  • 8 – Bob Dylan
  • 7 – Rubinho, do Quinteto Onze e Meia
  • 6 – Angeli
  • 5 – Charles Chaplin
  • 4 – João Gilberto
  • 3 – Baiano da Pamonha
  • 2 – Galvão Bueno

E na segunda-feira, a surpreendente e impactante revelção do primeiro lugar. Chega, cansei de escrever. Vou sair. Sexta-feira é dia de ir pescar.

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Top 10 do Walmor – Medalha de Prata

A incrível lista das 10 pessoas que Walmor Salgado mais gosta no mundo

2o. Lugar – Galvão Bueno

Galvão Bueno é meu mestre. Todo dia eu digo: “O Galvão é meu pastor e nada me faltará”.

Como pode alguém conseguir ser tão odiado de norte a sul do país? Ser execrado por milhões e milhões de pessoas? Eu tento, tento, mas sei que jamais chegarei nesse nível.

Galvão realmente sabe como irritar as pessoas. E ainda ganha bem pra isso! Ele ganha uma fortuna, ganha um microfone e faz o seu trabalho. Fica quase duas horas falando besteiras, cornetando técnicos e jogadores e dando gritos irritantes carregando na letra R.

Já vi muitos cartazes em estádios. Me lembro de um muito bom, que trazia a frase: “Galvão, vai pentear macaco”. Demais!! Bem que eu gostaria de ver o mesmo só que mudando o nome para o meu: “Walmor, vai pentear macaco”. Seria incrível.

Mas eu vi que Galvão chegou ao nível máximo de excelência quando, assistindo a um jogo, Galvão disse: “E a torrrrcida canta animada nas arrrquibancadas!!”. Nisso, mostra a torcida  que, em coro, cantava no estádio lotado: “EI, GALVÃO, VAI TOMAR NO CU!! EI, GALVÃO, VAI TOMAR NO CU!”. Demais, incrível, simplesmente perfeito.

A partir daí, passei a ter esse sonho. De um dia ver um estádio lotado ou, quem sabe, o Brasil inteiro dar as mãos e gritar em alto e bom som: “Ei Walmor, vai tomar no cu!!”… Quem sabe eu chego lá. Sei que já estou velho, mas não perdi esse sonho.

Galvão Bueno. Simplesmente sinônimo de perfeição. Se me perguntassem quem eu gostaria de ser, com certeza eu diria que quero ser você. Galvão, você é demais!! Meu ídolo!!

E, se você, leitor-mala desse blog, quiser me ajudar a realizar meu sonho, comece a partir de agora. Faça como muitos já fizeram. Xingue o Walmor você também!!

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Top 10 do Walmor – os anônimos também têm vez

A incrível lista das 10 pessoas que Walmor Salgado mais gosta no mundo

3o. Lugar – O Vendedor de Pamonha

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Eu posso gostar do Bob Dylan, do Alborghetti, do Rubinho do Jô Soares, mas não gosto de nenhum deles o quanto eu gosto do vendedor de pamonha!!

Ser vendedor de pamonha é exercer uma profissão muito nobre. Poucos se dignificam a isso. Acredito que poucos têm coragem. Muitos o menosprezam, mas dão um sorriso de orelha a orelha quando ele aparece.

Eu lembro na época da minha juventude. Era difícil encontrar um vendedor de pamonha. Você precisava sair pelas ruas, entrar em lugares suspeitos… Você perguntava pra várias pessoas, a maioria disfarçava, falava que não conhecia, que nunca ouviu falar, mas alguém sempre acabava te informando onde achar o cara. E depois era só alegria. Mas nada de fiado hein!! Primeiro o dinheiro, depois o produto na sua mão.

Hoje em dia as coisas estão muito melhores. Tem até vendedor de pamonha delivery. Você liga, combina com ele a quantidade de pamonha e o cara leva na sua casa. É prático e chega quentinha. Mas às vezes os vendedores somem. Por isso é bom estocar. Tenha sempre um pouco de pamonha de reserva, pra não ficar sem na hora que bater aquela vontade.

O mundo está cada vez mais moderno. Mais tecnológico. Só que certas coisas não mudam. Não adianta. Pamonha não é uma coisa que você vai numa loja e compra. È algo que você precisa conhecer a pessoa certa. O cara que vende a pamonha da boa. E depois, é só curtir….

Vendedor de Pamonha!! Sem você, o que seria de mim? Você merece esse terceiro lugar no meu ranking. Você merece muito mais! Você merece algo que ninguém mais merece: um aperto de mão do Walmor!!

E no próximo post: o incrível segundo lugar do Top 10 do Walmor. Você não pode perder!! E digo mais. Não enche meu saco que hoje eu nâo estou pra brincadeira. Vai curtir sua pamonhinha que você ganha mais!

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Top 10 do Walmor – Vaia de Bêbado Não Vale

A incrível lista das dez pessoas que Walmor Salgado mais gosta no mundo

4º. Lugar – João Gilberto

 

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João Gilberto é o cara! Você já viu o João Gilberto sorrir? Eu nunca vi. Só por isso ele já merece um prêmio. Você já viu o João Gilberto circulando pelas ruas? Claro que não. Ele é totalmente recluso. Merece mais um prêmio. Você já viu o João Gilberto fazendo média com outros músicos, elogiando, fazendo participações especiais? É claro que não. Esse cara realmente é demais!!

João Gilberto é a personificação do músico rabugento. Ele ganha dinheiro fazendo shows mas não faz a mínima questão de fazer shows. Ele faz um show a cada cinco ou seis anos de tanto que as pessoas enchem o saco dele. Mas, pra ele fazer um desses shows, vêm as condições. Nada de ar condicionado. Esses trambolhos fazem barulho e soltam um ar sujo e frio que irrita a garganta do mestre, por isso, nada de ar condicionado. O público que se dane e passe calor. A acústica do lugar tem que ser perfeita. Nada de microfonias, nada de ruídos. E eu aposto que, se ele pudesse, ia fazer uma outra exigência: nada de público!!

Eu concordo. Afinal, pra que ter que agüentar tantos malas? João Gilberto só precisa de um violão pra se divertir. Não precisa desses baba-ovos. Um bando de baba-ovos mesmo. Afinal, essas pessoas só podem ser admiradoras do estilo ranzinza do músico. Eu duvido que alguém consiga de fato gostar das músicas dele. Você conhece alguma? Não acredito que alguém vá ao show dele pela música.

E, em função disso, João Gilberto faz questão de maltratar esses malas que vão aos shows. Primeiro, ele se atrasa muito. Muito mesmo. Deixa o público esperando por horas. Quando chega, se senta e inicia o show sem dar boa noite. Aí pega o violão e fica tocando umas melodias tristes de dar dó. E fica sussurrando umas coisas no microfone, que não dá nem pra entender se ele está cantando ou está gemendo de dor. E mesmo assim as pessoas pagam uma fortuna pra vê-lo e ainda aplaudem de pé. Esse cara realmente é um gênio. E se você reclamar do show dele, ensaiar uma vaia, qualquer coisa assim, ele pára de tocar, xinga você, se levanta e vai embora. E todas as outras pessoas que pagaram caro pra vê-lo que se danem. É atitude demais pra uma pessoa só.

Por tudo isso, João Gilberto merece muitos prêmios. Merece o primeiro lugar do meu ranking. Mas como a música dele é chata de doer (música? Que música?), vai ficar apenas com o quarto lugar. Se bem que o quarto lugar é uma posição honrada. Só espero que o João Gilberto não leia esse texto e venha me procurar. Já pensou se ele traz o violão e resolve tocar uma canção pra mim? Não, não, isso não…

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Top 10 do Walmor – Tá esquentando…

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5o. Lugar – Charles Chaplin

Reza a lenda, que Charles Chaplin virava o capeta quando estava num set de cinema. Que era realmente o cão chupando manga. Refazia a mesma cena mais de 100 vezes, era estúpido com sua equipe, arrogante e realmente arrancava o couro do pessoal. E sabe por que? Por que ele se achava um gênio e, por isso, se via no direito de ser esse escroto. Ele tinha razão. Se você é um gênio, você quer mais é que os outros se danem. Você pisa nos outros e não está nem aí.

Então você pensa: “Ué, Walmor, vai dizer que você se acha um gênio também?”. Não, eu não me acho um gênio. Só acho que o Charles Chaplin realmente sabia como lidar com as pessoas. Esse negócio de civilidade, bons modos… Isso não leva a nada!!!! Chega desse negócio de cumprimentar as pessoas, abraçar, dar sorrisos e dizer “por favor”. Na maioria das vezes, a pessoa faz isso porque tem que ser assim, porque foi convencionado assim ou, até mesmo, por pura falsidade. Então me diga: SER FALSO PRA QUE??

Chega de falsa educação com as outras pessoas, chega de falsidade… A partir de agora, faça como eu. Chegue pra outra pessoa e diga logo o que você quer. De forma imperativa e contundente. Nada de por favor. No trânsito, no ônibus, nas ruas, não seja civilizado. Não dê a vez pro outro, afinal, provalmente o outro não daria a vez pra você. E se você estiver no controle de uma situação, seja rude, seja estúpido, afinal, quem manda é você. Somente assim as pessoas te respeitarão. Faça o teste. E veja que, se você for um bunda-mole, o resultado será bem diferente.

É por tudo isso que eu digo que gosto tanto do Charles Chaplin. Ele era arrogante, era estúpido com seus subordinados e a imagem que ficou dele pro mundo inteiro era de um símbolo da paz, de uma pessoa meiga e doce que encantava todas as idades (blergh)… Charles Chaplin. Simplesmente um gênio.

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Top 10 do Walmor – Cartunista na área

 

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6o. Lugar – Angeli

Angeli é um cara batuta. Um grande cartunista que sempre se mostrou um grande mau humorado. Angeli criou personagens que se tornaram clássicos, mas não tem o menor saco pra aturar seus fãs. Prefere ficar em casa do que sair nas ruas e ter que aturar um monte de nerds falando que amam a Rê Bordosa ou o Bob Cuspe.

 

Angeli não está nem aí pra isso. Mesmo com toda a criatividade e com a lista de personagens que tem, o cartunista publica, muitas vezes, um rascunho qualquer, um esboço de desenho. Manda isso mesmo e o jornal publica. E mesmo se os fãs acharem isso uma enrolação, ele não está nem aí. O fã abre o jornal na maior expectativa e vê na seção de tirinhas um desenho qualquer que ele fez de algum jazzista que ele curte. Atitude! Angeli trouxe o politicamente incorreto pra mídia. Mostrou na revista Chiclete com Banana o que é ser realmente punk. E quando ele não está muito bem humorado, publica uma tira da série “Angeli em Crise”. Grande sacada, afinal, eu sei, e ele também sabe, que a vida não é bela. Angeli possui personagens como os Skrotinhos, que passam o tempo todo tirando as pessoas. Demais! Eu queria ser um Skrotinho!! Até que eu consigo um pouco, mas estou mais pra escrotão mesmo. E quando Angeli publica a seção “República dos Bananas”, mostrando os modernosos e freaks em geral? É demais!! Assim como o Angeli, eu também acho que o mundo anda muito cheio de gente descolada. Sai pra lá, assombração! Tá tudo moderno demais pro meu gosto. E Angeli também publica tiras antigas, tiras repetidas, tiras velhas que já foram publicadas várias vezes. E não está nem aí se você acha isso ruim ou não.

 

E, pra completar, Angeli criou a seção “Duas coisas que eu detesto e uma que eu adoro”. Totalmente genial. Afinal, existem mais coisas no mundo pra gente odiar do que pra gostar. Ele diz algo mais ou menos assim: eu detesto: “essa moda de usar franjinha no estilo britânico”; eu detesto: “a euforia que todo mundo fica em época de Copa do Mundo”; eu adoro: “programas de televendas na madrugada”. Totalmente genial. Eu também adoro programa de televendas na madrugada. É a melhor coisa pra assistir! Angeli sabe das coisas. Recluso, carrancudo, folgado, muito sarcástico e um cara que não faz concessões. Se todos fossem como o Angeli, o mundo seria muito melhor.

 

 

 

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Top 10 do Walmor – mais um músico…

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7o. Lugar – Rubinho do Quinteto do Jô

rubinho
Esse eu acho que ninguém lembrava mais. Mas eu jamais me esqueci. Rubinho, o guitarrista barbudo do antigo “Quinteto Onze Meia”, do programa do Jô Soares. Rubinho, o homem que não sorria. Só por isso, ele já merecia o prêmio de honra desse meu ranking.

Aquele mala do Jô Soares ficava fazendo piada com ele, tirando sarro, mas ele não ria e nem sorria. Mas o olhar dele dizia tudo. Era um olhar de desprezo e de raiva. Um olhar de quem está mesmo é com vontade de enfiar a mão na cara desse mané. É isso aí, Rubinho. A gente não é palhaço de circo e não tem porque ficar rindo a toa. Comigo é assim também. Posso assistir filme de comédia, ouvir uma piada, uma história engraçada, mas eu não dou risada. Quer dizer, quando eu vejo algum mané se ferrando, levando um tropicão na rua, essas coisas, eu acabo rindo sim. A verdade é essa. Eu adoro de rir da desgraça alheia.

Mas o mestre Rubinho não. Nem da desgraça alheia ele era capaz de rir. Parecia que ele tinha mesmo era ódio de tudo. E no fim, Rubinho se corroeu tanto, mostrou tanto desprezo pelas piadas que faziam com ele, que acabou morrendo. Pelo jeito, não agüentou de tanto desgosto. Acho que se eu tivesse que aturar um gordo mala fazendo piada comigo o tempo todo ia acontecer o mesmo. Talvez eu enfiasse uma bolacha naquela cara redonda. E não é bolacha de comer. É bolacha com a mão aberta. Daquelas que deixam a cara vermelha.

Rubinho, é isso aí. A vida não foi feita pra sorrir. Você sabia das coisas, grande mestre do mau humor. Quem sabe um dia eu chego lá. Ou morro antes de desgosto.

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Top 10 do Walmor – 8o. Lugar

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8o. Lugar – Bob Dylan

Bob Dylan é o rabugento em pessoa. Desde o começo de sua carreira tratava mal os jornalistas. É isso aí, Bob, não dá moleza pra esses malas!!

Bob Dylan é um grande precursor no mundo da música. Afinal, ele foi o primeiro a realmente ser grosseiro com a imprensa. Não tinha a menor paciência praquelas mesmas perguntas. E respondia o que realmente pensava, sem se preocupar se a outra pessoa ia gostar ou não. Mais ou menos como eu faço.

Bob Dylan é um gênio. Inventou histórias, criou uma história fictícia de suas origens, pra enganar a mídia. Cada vez aumentava mais alguma coisa, sempre inventando a sua própria história. E, depois de muito tempo, riu da cara desses imbecis que acreditaram. Genial!

Bob Dylan é quase um ermitão. Quando cansou-se da amolações da indústria musical, da mídia e de seus baba-ovos, ele se isolou da civilização. Citou um acidente de moto (em que até hoje muita gente  não acredita) e aproveitou pra sumir do mapa. Por muitos anos. Bob Dylan simplesmente desapareceu por quase toda a década de 70, e só depois reapareceu.

Bob Dylan não está nem aí pra nada. Nem pros fãs. Que atitude pode ser mais autêntica que essa? Bob Dylan altera seu repertório em todos os shows, muda totalmente a cara de suas próprias músicas, e diz que não pode se preocupar em fazer o que os fãs querem e, sim, com o que ele mesmo quer.

Bob Dylan não tem mais voz pra cantar, ficou com a voz de taquara rachada, e mesmo assim faz shows, grava discos, e não está nem aí. E se você comprar o disco ou for ao show e não gostar, provavelmente ele vai dizer que isso é problema seu. Mais perfeito impossível. 

Com tudo isso, às vezes me pergunto: será que Bob Dylan é Deus?

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Top 10 do Walmor – Contagem Regressiva

A incrível lista das dez pessoas que Walmor Salgado mais gosta no mundo

9º. Lugar – Alborghetti


Alborghetti não é apenas a personificação de um cara mau, de um cara – como ele mesmo diz – “puto da cara”. Alborghetti é a pura essência do que é ser autêntico. Não importa se ele está de frente pra uma câmera ou não. Ele não tem meias palavras. Não tem papas na língua e, se você amolá-lo, sei lá… Provavelmente ele vai te mandar sentar no colo do capeta. Ou algo do tipo.

Eu gosto do Alborghetti porque ele é um cara cheio de boas idéias. Ele não quer prisão perpétua pros bandidos. Ele não quer pena de morte pros assassinos. Ele quer apenas a chance de descer o porrete nesses criminosos. O que ele deseja mesmo é a chance de ficar sozinho numa sala com um cara desses. Alborghetti e seu cassetete. Pra descer mesmo. Pra sentar o sarrafo sem dó. Pra arrancar o coro.

Alborghetti, pra mim, é sentimento puro. É paixão pela justiça que transpira pelos poros. É poesia!! Alborghetti é tudo que o Brasil precisa. Imagina se todos os crimes fosses julgados por ele… Ele condenaria e ele mesmo aplicaria a pena… Muitas marretadas na cabeça desses cornos… A criminalidade iria diminuir muito. Talvez ela nem existisse mais. Afinal, quem ia querer cometer um crime pra depois ter que ficar frente-a-frente com o fazedor de justiça?

Luiz Carlos Alborghetti. Quem me dera ter um décimo da sua genialidade. Você, que assim como eu, é jornalista e preza pela verdade. Nem tenho palavras pra dizer o tanto que te admiro. Não sei nem o que dizer. Só sei que, se eu fosse uma bichinha, eu diria que você…. É TUDO DE BOM!!

ps. Vá ao Youtube e digite “Alborghetti”. A lista de vídeos é enorme e sensacional. Ele xinga os políticos, os bandidos e até os EMOS!!!!

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Top 10 do Walmor

A incrível lista das dez pessoas que Walmor Salgado mais gosta no mundo

A partir de hoje, iniciarei uma lista das personalidades que mais gosto e admiro no mundo. São muito poucas, então, mesmo fazendo um top 10, vai ser difícil encontrar gente suficiente pra fazer parte dessa lista. Mas eu vou tentar. Então vamos começar a contagem regressiva:

10º. Lugar – Derci Gonçalves

Poucas pessoas, ou melhor, ninguém era capaz de ser tão rabugento ao dar uma entrevista. Não importa pra quem fosse, onde fosse, Derci desfilava seu repertório de palavrões, mostrava muito pouca paciência e, mesmo assim, saía sempre por cima, aplaudida e aclamada. Derci, minha amiga, descanse em paz.

Lembro-me bem do dia em que nos conhecemos. Você era uma atriz revelação da tal pornochanchada brasileira. Eu era um mero repórter iniciante da Gazeta de Taquarituba que fui escalado pra cobrir os bastidores do seu filme. Cheguei lá e logo me apresentei:

– Olá, Derci. Eu sou o Walmor Salgado, jornalista da Gazeta de Taquarituba.
– Bela merda. Alguém te perguntou alguma coisa? Dane-se quem você é. Caguei procê. Caguei!

Nossa, foi amor à primeira vista. Como alguém poderia ser tão rabugenta logo de cara. Tentei prosseguir com a conversa:

– Então, Derci, eu queria que você falasse um pouco desse filme…
– Falar o que, meu filho? O filme nem tá pronto ainda. Quer que eu fale do roteiro, da história? Desde quando pornochanchada tem história? Vai ser só pegação, meu filho, só pegação. E você, quer pegar aqui também?

Uau!! Ela me chamou de meu filho. Bem que a Derci poderia ser minha mãe. Mas, enfim, eu precisava fazer a entrevista ou meu editor arrancaria meu fígado. Continuei então essa conversa maravilhosa com a Derci:

– Agora, Derci, me fala uma coisa. Como você começou sua carreira?
– Como eu comecei minha carreira? Como você acha que eu comecei minha carreira? Comecei do começo, oras bolas… Escuta, você não tem nenhuma pergunta boa pra fazer? Quer que eu mostre minha perereca? Quer tirar uma foto da minha perereca pro seu jornal vender mais, porra ?!
– Imagina, dona Derci…. Não precisa não.
– Dona Derci? Você me chamou de dona? Dona é a #$%¨que te pariu!!!! E aí, meu filho, tem alguma pergunta boa pra fazer?
– É… deixa eu ver… é…. você tem compromisso pra hoje a noite? Quer sair pra jantar comigo?
– Taí. Agora você perguntou alguma coisa que preste. Até que você é bem ajeitadinho e, pensando bem, um jantar de graça e um rala-e-rola depois até que não ia mal… Essa vida de ator no Brasil não é fácil. Eu aceito.

E foi assim, então, que começou minha grande amizade com a Derci Gonçalves. Fomos jantar naquele dia, mas já te adianto que nada aconteceu. Nem naquele dia e nem depois. Minha relação com ela era de ídolo e fã. Eu me deliciava com seu mau humor, com suas histórias engraçadas, sua rabugisse e sua boca suja. Aprendi muito com ela. Aprendi que o mundo precisa de mais espontaneidade, de mais pessoas rabugentas e de mais gente que fale o que tem vontade e não fica fazendo média. Derci, minha amiga, descanse em paz onde você estiver. Quer dizer, se eu bem te conheço, garanto que você preferiria que eu dissesse: “Derci, minha amiga, vai pra #$#@* que pariu”!!!!

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