Arquivo do mês: fevereiro 2009

A Sutil Arte de Fazer Inimigos

Eu li em algum lugar – ou alguém me falou – de um papo entre alguns jornalistas da minha geração, que um homem que se preza deve ter inimigos. E eu concordo plenamente. Se você não tem inimigos, alguma coisa está errada. Se você não tem inimigos,  é porque você é um bunda mole. É porque você aceita tudo que acontece no mundo. Calado. Sem pestanejar.

Mas não ache que você pode mudar essa situação do dia pra noite. E chegar amanhã e dizer: “a partir de hoje, terei inimigos”. Ter inimigos é uma arte. É um jogo de estratégia e raciocínio. Como uma partida de xadrez. Eu fui colecionando muitos inimigos ao longo da minha vida.

Comecei na escola. Desde pequeno, não deixei me intimidar pelos grandões que queriam tirar sarro da minha botinha ortopédica e do suspensório que meus pais me obrigavam a usar. Sempre que alguém vinha me aporrinhar, já metia bica com minha bota ortopédica e usava o suspensório como arma pra atacar aqueles otários. Não teve um que deu conta de sair na porrada comigo.

No trabalho, fui obrigado a apavorar alguns chefes folgados. Não é porque eles eram meus chefes que podiam me humilhar ou faltar com a educação com a minha pessoa. Na primeira patada que eu levava, já respondia com outra patada. E se a hostilidade continuasse, eu lembrava da minha avó, que sempre me dizia: “quando as palavras não bastam, só a violência resolve”. Foi o que eu pensei antes de jogar a máquina de escrever na cabeça de um desgraçado e ser demitido por justa causa. Mais um inimigo pra lista. Mas com a minha honra intacta.Depois colecionei mais alguns inimigos. No condomínio, nas ruas, na internet e em tudo que é lugar que você possa imaginar.

Mas cheguei à conclusão de que ter inimigos é bom. Eles não te telefonam, não te procuram, não pedem dinheiro emprestado. Eles não te amolam!! Muito melhor que ter amigos. Mas aí vai um segredinho do Walmor. A questão é que eu não procurei nada disso. Sempre fiquei na minha. Só esperando pra ser provocado. Assim, quem estava com a razão era sempre eu. E eu tinha a justificativa pra descer o sarrafo nesses fela-da-putas… Como eu disse, ter inimigos é uma arte. Coisa pra quem nasce com o dom. É pra quem pode, não pra quem quer!

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Hoje é meu dia!!

Finalmente temos um dia que presta no ano!! Após essa baixaria generalizada que toma conta do país inteiro, também conhecida como carnaval, eis que chegamos à tão aguardada “Quarta-Feira de Cinzas”… Eu gosto desse dia, afinal, pra mim, a vida é cinza. O mundo é cinza, o dia é cinza e até o céu é cinza.

Ah, minha mulher está me falando que esse dia não tem nada a ver com a cor cinza, mas sim com as cinzas dos mortos e alguma baboseira qualquer da fé cristã que não vou me dar ao trabalho de entender… Mas que se dane… Pra mim, esse dia simboliza a minha pessoa… E é por isso também que vivo em São Paulo, pois essa cidade é cinza… Cinza dos prédios, cinza da sujeira, cinza da poluição.

O cinza é a minha cor… Se bem que a maioria das minhar roupas são bege… Minha coleção de ternos xadrez é quase inteira bege… Acho que é uma cor que tem tudo a ver com a minha personalidade também.

Mas o que interessa é que, com a chegada da quarta-feira de cinzas, acaba aquela putaria generalizada de se adiar tudo pra “depois do carnaval”… Tudo que você precisa, tudo que você quer saber, só será resolvido depois do carnaval… É por isso que esse diacho de país não vai pra frente, pois, como diz o leitor Juan Piñeda, o ano só começa depois do carnaval.

Então tá!! O Carnaval acabou e que começe, então, o ano… E nada melhor que começar desse jeito, numa quarta-feira de cinzas!!

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Em Clima de Carnaval!!

Meu-deus-do-ceu-jesus-cristo-padim-ciço… A ficha caiu… Tentei fingir que nada estava acontecendo mas agora nao tem mais jeito… Está nas rádios.. Está nas tvs… Está no sorriso das pessoas… Está no ar…  Sim, não tem como fugir… O Brasil já está em clima de carnaval!!!!!!

carnaval

Eleger o que existe de pior no carnaval é besteira… São tantas coisas, que não tem como escolher uma… Seria a transmissão sem parar dos bailes e desfiles em todos os canais de televisão?? Seria a baderna que as pessoas fazem nas ruas?? Seriam as marchinhas ridículas?? Não sei, mas o que mais me irrita mesmo é a felicidade que contagia as pessoas nesse período… Me irrita esse monte de gente que diz que está “em clima de carnaval”. Como assim “em clima de carnaval”?? Carnaval, pra mim, é que nem o Alborghetti diz: “É a maior putaria desse meu Brasil”…

Enfim, me irrita muito essa alegria generalizada que toma conta do país. Primeiro que alegria, pra mim, já é um pé no saco… Coisa de otário… E aí eu reflito:as pessoas, em geral, se ferram o ano todo, trabalham pra caramba, ganham mal pra caramba, passam o maior perrengue pra pagar as contas, ficam doentes, são assaltadas, brigam em casa, brigam no trabalho, brigam até com a própria sombra, e depois fica todo mundo na maior alegria porque é carnaval?? Depois falam que o louco sou eu.

Bom, mas o que importa é que, a partir desta sexta, estou entrando em mais um dos meus períodos de clausura. Vou me internar na minha cama, ler alguns livros do simpatissíssimo falecido Paulo Francis, comer muito MMs amarelo, muito pistache, ouvir meus discos do Dick Farney e cantar os refrões junto com meu papagaio. Ele adora Dick Farney!! E depois que essa putaria toda acabar, eu volto a ligar a tv e volto à vida normal. Porque, a partir de agora, estou em clima de carnaval. Mas em clima de carnaval de um jeito bem Walmor Salgado de ser…

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Boca torta e dormente!! Amo muito tudo isso!!

Apesar do mundo ser um grande porre, existem algumas coisas na vida que nos dão um certo prazer…  Eu não gosto de muita coisa, mas também existem algumas que eu gosto… E uma coisa que eu realmente tenho prazer em fazer é ir ao dentista. Fala a verdade: tem coisa melhor que ir ao dentista?

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E eu não gosto do dentista simplesmente por causa da broca. Tudo bem que o motorzinho é mesmo algo muito bacana. Não sei se prefiro o barulho dele ou quando ele começa a abrir um rombo em meu dente. Mas o fato é que a broca produz uma sensação de relaxamento que me faz esquecer completamente do mundo em que vivemos. É algo que todo mundo precisa passar na vida. Fortalece o corpo e a alma. Mas a grande sensação, o que me faz adorar ir ao dentista, com certeza, é a anestesia!!

Que negócio bom. Quem será que inventou a anestesia de dentista? Porque anestesia boa é a anestesia de dentista. Aquela geral, que a gente toma pra operar, não tem a menor graça, pois a gente toma e já dorme… Agora a de dentista não, a de dentista você toma e fica com aquela sensação maluca, com a boca adormecida, meio torta… É demais… O dentista fala pra você não ficar mordendo a bochecha por dentro, pra não ficar se beliscando, mas não tem como… Eu sou completamente viciado nisso.

Pois é, mas esse gosto por anestesia já me causou alguns problemas… Fiquei tão viciado em anestesias que passei semanas e semanas indo direto ao dentista… Eu nem tinha mais cáries para tratar, mas inventava umas dores de dente pra ele mandar ver na agulhada… E esse vício aumentou, e eu comecei a fingir dores dos dois lados da boca, pra levar anestesia dos dois lados! Aí foi o máximo!! Delírio total… Fiquei tão enlouquecido que resolvi que, dali pra frente, só viveria anestesiado… Já pensou? Poder trocar porrada com qualquer um e não sentir dor!! Ficar perguntando coisas no supermercado sem ninguém te entender, afinal você mal consegue mexer a boca!! E quando você não quer falar com as pessoas, usa de desculpa que está anestesiado e não consegue falar direito!!

Eu cheguei pro meu dentista e propus de passar todos os dias lá pra levar anestesia.. É claro que ele não concordou… Saí em busca de outros profissionais um pouco menos éticos, mas a busca foi em vão, ninguém topou também… Aí fui para o mercado negro, e consegui um fornecedor, que me vendia o kit completo, com seringa, agulha e anestesia!! No começo, eram duas doses… Depois foi aumentando, e minha vida se tornou uma grande anestesia!! Eu não sentia mais nada… Andava como um zumbi pelas ruas… Esse vício se tornou uma grande dependência e acabei indo para uma clínica de reabilitação… O tratamento foi complicado, a abstinência foi um problema, mas consegui me libertar do vício.

Hoje, falando francamente, sinto falta daqueles bons tempos… O mundo está tão deprimente que minha vontade é mesmo de me anestesiar…. Tomar umas duas doses e sair por aí, de boca torta e sem sentir nada no rosto… Mas eu sei que não posso fazer isso… Uma primeira dose e já terei uma recaída danada… O jeito mesmo é recorrer ao meu cigarrinho-calmante… Com a minha receita secreta… Cigarrinho esse que, dizem os antepassados, é também remédio pra dor de dente…

Taí, é isso mesmo… Chega de injeção na gengiva… Vou mandar logo essa fumaça pra dentro de meus velhos pulmões e anestesiar logo o corpo e o cérebro de uma vez… E fazer igual ao pintinho daquela piada, que dizia pro gavião: “não tô sentindo nada”… Ô mundão louco… Só assim pra te aguentar!!

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Pesadelo Country Hotel

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No post anterior falei sobre minha vontade de tirar férias… O problema é que, quando lembro de algumas férias que já tirei, já penso logo em desistir. O motivo são alguns traumas do passado… Já falei aqui da minha ojeriza às praias e já falei da confusão que arrumei na Disney… Mas nada se compara ao ano em que fiz a burrice de passar as férias em um hotel fazenda!!!

Lembrando disso, hoje em dia, já me bate um arrependimento. O que diabos eu fui fazer em um hotel fazenda? Na época, meus filhos eram pequenos e achamos que eles iam gostar do passeio, de ter contato com a natureza…. De fato, eles gostaram… Mas acho que só eles gostaram…

A viagem para chegar até lá já foi aquele martírio. Assim que entramos na estrada, uma das crianças já soou o alarme: “quero fazer xixi”. Porra!! Por que a pessoa espera sentar dentro do carro pra ficar com vontade de fazer xixi? Por que não fez antes? Agora não tem onde parar… Enfim, pros meninos é mais fácil resolver essa questão… Mas depois começa aquela outra amolação tradicional: “Tá chegando? E agora, tá chegando?”… Mas que cacete!!! Quando estiver chegando eu aviso vocês!!!! A gente ainda estava na estrada e eu já me arrependia de ter inventado essa viagem.

Ok… Chegamos finalmente ao hotel fazenda… Deixamos as malas no quarto, fomos dar uma volta pra conhecer o local e já fomos logo abordados por alguém que eu preferiria manter bem longe de mim: um monitor!! Isso mesmo… Uma pessoa toda animada, de shorts, regata e bonezinho veio nos abordar… Disse que seria o nosso monitor em todas as atividades durante nossa estadia no hotel… Todas atividades? Foi isso mesmo que ele falou? Já disse logo que não queria saber de atividades e sabe o que o cara disse? “Ah, esse é do tipo que se faz de difícil.. No fim são os que mais se divertem nas atividades”.. Deixei bem claro que não queria saber de atividade nenhuma e o mala disse que não ia me dar sossego, que ia fazer eu suar a camisa…. Porra, eu queria férias e descanso e ele vem me falar de suar a camisa.

Enfim, foi tudo realmente um grande pesadelo… Eu chegava na beira da piscina e aquele imbecil já vinha com aquele bonezinho ridículo e um apito pendurado no peito… Eu não sei de onde esse pessoal tira tanta disposição e tanta animação: “Vamos lá, seu Walmor, vamos começar o dia com um aquecimento e uma partidinha de vôlei dentro da piscina!!” Mas era só o que me faltava. Já disse que não ia fazer nada disso mas minha mulher ficava insistindo… Eu disse que não ia, mas o pessoal queria até me obrigar…. Começaram a me puxar pra dentro da piscina e eu me agarrei no pé de uma mesa… No fim, me puxaram com tanta força que acabaram me segurando na marra e um imbecil deu a idéia de me jogar na piscina!! Me jogaram de roupa e tudo… O pessoal rachou o bico, mas eu não achei a menor graça… Eu queria mesmo era matar um naquele instante… Saí de lá rogando praga em todo mundo ao meu redor…

A partir dali, foi um martírio atrás do outro, ao longo dos dias. Pior de tudo foi o dia em que inventaram um passeio em cavalos… Montei numa égua que falaram que era mansa, mas de mansa ela não tinha nada… Eu nunca tinha subido num bicho daqueles, e, não sei por que, o bicho disparou a galopar… E eu não conseguia faze-la parar… Comecei a gritar desesperado por socorro, pra alguém me ajudar, e, a danada corria cada vez mais… Instintivamente, puxei as rédeas com tudo… A égua desgraçada deu um empinão que me mandou direto pro solo… Cai com as costas no chão e dei um mal jeito desgraçado na minha coluna… Precisaram correr comigo pro pronto socorro e descobri que desloquei a clavícula… Voltei pro hotel com um baita colete de gesso e ainda por cima com o pescoço imobilizado.

Passei o resto dos dias desse jeito… Foi uma maravilha!! Ficava sentado na beira da piscina, todo engessado, sem poder fazer nada… Aquilo, pra mim, foi uma dádiva, uma benção dos céus… Nenhum monitor veio me pegar pra participar de “atividades”… Não fui mais obrigado a brincar em gincanas imbecis e muito menos a andar em bichos selvagens que não foram feitos para pessoas urbanas como eu… Não podia ter acontecido nada melhor pra mim… A partir desse ano, passei a me precaver melhor em relação a minhas férias… Normalmente, prefiro passar trancado dentro do meu apartamento… Sem monitores, sem sol, sem piscina, sem atividades… Mas nas vezes em que a viagem com a família foi inevitável, já saí de casa precavido… Depois daquele ano, nunca mais eu viajei sem o meu colete de gesso!!

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Vinde a mim, ó ETS!!

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Pois é… A cabeça cansou e eu não tenho tido o menor saco pra escrever nessa joça… O problema é que não fiz nada nos últimos dias e, por isso, nada tenho pra contar pra vocês… A única coisa que eu sei é que uma idéia tem freqüentado a minha cabeça permanentemente: eu preciso de férias… É isso mesmo… Férias.

Eu não trabalho. Já me aposentei. Também não estudo, não faço cursos, nada do tipo. E então você pensa: mas por que férias? Porque sim, oras bolas. Ando muito estressado com esse cotidiano da cidade grande. A vida urbana é mesmo de arrancar os cabelos.

De manhã, acordo com a sinfonia das buzinas. O trânsito aqui na frente de casa é intenso e o pessoal não tem o menor respeito por quem está dormindo. Enfia a mão na buzina em plena manhã. Tem dia que são onze horas da manhã e o pessoal não me deixa dormir em paz!! É um absurdo.

E aí tem a barulheira dos vizinhos. Tem um casal no apartamento de cima que vive brigando. Tem um outro que tem crianças que fazem a maior bagunça. E tem a menina emo que fica ouvindo umas músicas muito ruins num volume absurdo. E aí passa o caminhão do morango aqui na frente com aquele alto falante irritante. E aí vem o porteiro do prédio entregar um monte de correspondências. E a maioria são contas pra pagar! E aí vem a minha mulher que não pára de falar um instante sequer. E aí não tem nada que preste pra ver na televisão (com exceção dos incrível canal Shoptime). E aí eu penso em dar uma volta. Mas eu não quero ter contato com as outras pessoas. Eu quero ficar em casa. Mas também não quero ficar em casa!! Eu não sei o que faço. Isso tudo está me deixando louco!

Quer dizer. Está nada. Nada disso me afeta. A bem da verdade, já estou acostumado a todas essas amolações da vida cotidiana. Como diriam antigamente, sou macaco velho. E como diria aquele pagodeiro alcoólatra, deixa a vida me levar. Está tudo bem, a vida é assim mesmo. Mas não é por isso que vou ficar sorrindo, com cara de otário. Vou mesmo é providenciar umas férias. Mas, pelo jeito, eu preciso mesmo é de férias desse mundo. Será que não tem nenhum ET afim de me abduzir? Venham extraterrestres!! Venham me levar desse mundo. Como diziam aquelas garotas que rodavam bolsinha no Largo do Arouche nos anos 60, “vem nimim que que tô facinho”!!

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Sexta-Feira 13

E eis que chegamos a mais uma das datas estúpidas do ano. Hoje é sexta-feira 13. O tão temido dia do azar.

Desculpem-me. Eu nunca consegui acreditar que se eu for assaltado, pode ter sido porque eu passei embaixo de uma escada. Eu jamais seria convencido de que tudo deu errado pra mim num dia só porque um gato preto passou na minha frente. É por essas e outras que, numa sexta-feira 13 de alguns anos atrás, eu resolvi por à prova o máximo de superstições de uma vez.

Comecei o dia colocando primeiro o pé esquerdo no chão. Afinal, como diz um amigo meu, melhor acordar com o pé esquerdo do que sem ele. Depois, deixei um chapéu em cima da cama e fiquei batendo a sola dos meus sapatos uma na outra. Ao sair na rua, procurei uma escada e, é claro, passei embaixo. Tudo mais que pudesse dar azar eu fiz, e isso tudo em plena sexta-feira 13. Meu dia foi chegando ao fim e eu conseguia mostrar pra mim mesmo que estava certo. Que mané azar o que?? Superstição é mesmo coisa para trouxas.

Me preparei então para relaxar um pouco. Coloquei meu pijama, minhas pantufas preferidas e fui repousar na poltrona. Minha campainha tocou. Mas quem diabos iria tocar na minha casa? Eu não tenho amizade com nenhum vizinho. Surpresa!!!! Parentes distantes!! Que eu não via há muito tempo. Aquele povo todo do interior de Minas Gerais. Alguns que eu nem lembro o nome. Tinha até uma tia minha!! Essa deve ser mais velha que a Hebe Camargo! Falaram que estavam de passagem por São Paulo e resolveram fazer uma visitinha. Era só o que me faltava. Ficar fazemdo sala pra parentes.

Depois que eles foram embora, minha mulher veio me falar: “Tá vendo, quem mandou brincar com o azar”. Brincar com azar? Até parece que foi por causa de tudo que eu fiz nesse dia que acabei recebendo esse presentão. Não dou o braço a torcer. Isso tudo foi coincidência. E pra comprovar, me proponho a fazer tudo de novo numa próxima sexta-feira 13. Mas uma coisa eu prometo. Não atendo mais a campainha!!

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Como lidar com folgados….

Como esse meu site tem sido útil. O que era pra ser apenas um espaço para falar da minha rabugisse tem se mostrado, na verdade, um grande guia de auto-ajuda para as pessoas desorientadas. De acordo com o relatório de estatísticas do WordPress, muita gente acaba acessando meu site por causa de pesquisas feitas no Google. E isso me dá uma amostra muita boa do que as pessoas andam buscando. O termo pesquisado que mais direciona leitores ao meu site é “cuida da sua própria vida”. Todos os dias, várias pessoas digitam isso no Google e acabam parando no Diário de Um Rabugento. Mas a minha alegria ficou ainda maior quando vi que um dos termos pesquisados hoje no Google e que foi direcionado para o meu site foi “como lidar com folgados”. É isso mesmo: “Como lidar com folgados”. Não é maravilhoso? A pessoa pergunta ao Google como lidar com os folgados e eles indicam, na pesquisa, o meu site. Isso vale mais que dinheiro, vale mais que qualquer coisa. É a satisfação de ajudar quem também não agüenta mais tanta gente mala no mundo.

Bom, mas falando agora desses sites de buscas, a verdade é que eu nunca fui adepto do Google. Até hoje, preferia consultar a enciclopédia Barsa. Ali estão, realmente, todas as informações. Desde sempre. E eu sou de um tempo em que internet, email e celular não existiam. E mesmo assim a gente conseguia viver. Mas agora eu percebi. Na Barsa eu posso pesquisar sobre muitos assuntos, mas lá não tem a resposta para perguntas do tipo “como lidar com folgados”. Mas, se você perguntar pro Google, ele vai saber te dizer. É por essas e outras que eu digo: Não tem jeito, às vezes a gente tem que dar o braço a torcer e se render às novas tecnologias.

E quando você também estiver com qualquer problema sobre lidar com folgados e com todas as chatices do mundo, visite o Diário de um Rabugento. Leia tudo com atenção. Mas por favor, não me encha o saco. Pois eu sei como lidar com malas. E, muitas vezes, isso acaba mal.

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Um dia de fúria!

No post anterior falei sobre a ojeriza que eu tenho de praia. Mas eu não odeio apenas as praias. O fato é que as férias são capazes de nos proporcionar vários desses momentos desagradáveis. Meus filhos já foram crianças um dia, e lembro-me que, numa certa época, o que eles mais queriam era conhecer a Disneylândia.

– Um parque de diversões? O maior parque de diversões do mundo? Vocês só podem estar brincando comigo!! – Foi o que eu disse na época pra molecada.

Era só o que me faltava. Eu, Walmor Salgado, o rei do mau humor, ir a um lugar também conhecido como parque de diversões. Mas, enfim, vocês sabem como é. A gente é pai e é difícil mesmo falar não pra criançada. E eis então que, num período de férias muito tempo atrás, partimos pra Disney.

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Chegando lá, já dou de cara com um letreiro gigante: “Onde os sonhos se tornam realidade”. Pra mim, aquilo não tinha nada de sonho. Era o começo de um pesadelo. Comecei a andar dentro do tal parque e as crianças queriam ir nos brinquedos. Fomos a uma montanha russa gigante. Ô negócio grande, viu? Só esqueceram de avisar o pessoal que é bom não entrar de barriga cheia nesses lugares. Logo no primeiro looping, uma menina começou a passar mal e vomitou lá de cima. Respingos de vômito caíram no meu terno xadrez e aquilo já estragou meu dia.

Depois fomos em outros brinquedos e achei todos eles muito imbecis. Tinha um cinema em 3D que ficava chacoalhando a cadeira pra dar sensação de ser real. Em mim só deu uma baita dor nas costas. E aí depois tinham os desfiles. Tipo aquelas paradas civis. Meio tipo desfile de carnaval. A maior babaquice que eu já vi na vida. Nem tirei fotos pra não gastar dinheiro de filme e de revelação.

Mas se tudo já ia mal, no fim só piorou. Estava eu distraído, olhando para um pássaro verde que descansava sobre um banco, quando o Pateta chegou perto de mim. Eu não percebi que ele estava vindo e levei um baita de um susto. Que susto que eu levei! Ele emitiu um som meio estúpido, acho que era uma saudação feliz, e aquilo me irritou profundamente. Pra completar, ele ainda pisou no meu pé sem querer. Eu já estava odiando aquele dia no parque, e isso foi a gota d’água. Quando dei conta de mim, já estava correndo atrás do Pateta. Ele achou que era alguma brincadeira e saiu correndo e agitando os braços. E ele dava uns chutinhos no ar enquanto corria. Como se fosse um palhaço de circo. Mas eu não estava brincando. O negócio era sério. Quando alcancei o Pateta, enchi ele de safanões. Demorou um pouco, mas ele percebeu que aquilo não era uma brincadeira. Eu estava mesmo era socando aquele imbecil. Dei tanto safanão que acabou caindo a cabeça dele. E, por trás daquela cabeça de Pateta, havia um homem com cara de imigrante cubano. Continuei socando e as crianças, horrorizadas, começaram a gritar. Elas não entendiam direito. Por que aquele homem estava batendo no Pateta? E porque apareceu uma outra pessoa dentro daquela fantasia?

Só sei que depois de um curto período de tempo, apareceram vários seguranças, que me carregaram pelos braços e me levaram pra uma salinha muito estranha. Tiraram fotos de mim e falaram que iam deixar registrado lá pra eu nunca mais entrasse em nenhum dos parques do complexo Disney World. Falaram que a partir daquele momento eu era uma persona non grata. Yes!!! Consegui o que queria!! Agora, nem que meus filhos queiram, nem se eu ficar louco e quiser ir pra lá, eu não poderei mais entrar!! Perfeito!! Parque de Diversões nunca mais!! Esses lugares deveriam se chamar Parque de Tortura!! Tanto física quanto psicológica. Mas não importa. Isso é tudo coisa do passado. O que importa é que eu sou Walmor Salgado. O cara que, um dia, socou o Pateta!!

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Vamos a la plaia?

Ai, ai, hein… Parece que o ano começou. Se bem que, como me disse o Juan Piñeda, o ano só começa depois do carnaval. Mas a volta às aulas trouxe uma infinidade de gente pras ruas que faz todo aquele sentimento de desgosto voltar a correr em minhas veias. As ruas estão cheias novamente, e minha vontade de me enfurnar em casa passa a ser enorme.

Como me irrita conviver com a civilização. Não sei nem porque tem esse nome, afinal, de civilizada ela não tem nada. E por onde andava essa gente toda que não estava na cidade durante esse tempo todo? Estava no inferno? Não. Resposta errada. Mas estava em um lugar bem parecido com a temível casa do capeta. Esse povo todo estava na praia!!

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E aí eu me pergunto: o que tem pra se fazer de tão bom na praia que faz com que o povo todo se amontoe por lá? Eu acho praia uma das coisas mais nojentas que existe. Faz mais ou menos uns 35 anos que eu não mergulho no mar. Ainda me lembro a última vez em que entrei na água. Falei pra minha mulher: “Vou entrar na água, vou dar um mergulho daqueles”. E ela: “que entrar na água o que!! essa água é suja”. E eu rebati: “suja nada, olha quanta gente nadando”. Ela falou novamente pra eu não entrar mas é claro que eu ganho na teimosia e fui lá pra dentro do mar. Só deu tempo de eu molhar os pés e um baita dum “chokito” já veio rolando na minha direção. Saí da água correndo pra nunca mais voltar. O mar, pra mim, nada mais é que um grande banheiro público e coletivo.

Sem entrar no mar, só nos resta curtir a areia. E alguns poucos minutos são o suficiente pra você ficar com a pele toda sebosa por causa daquele vento melequento que existe na praia. E não dá nem pra por o pé na areia. O risco de pegar micose, bicho de pé, bicho geográfico é grande. Sem contar o perigo de você pisar num caco de vidro deixado por algum farofeiro ou em algum espinho de rosa dessas macumbas que sempre aparecem boiando. E aí tem aqueles vendedores que passam gritando e te dão aquele susto. E tem o pessoal que agita um pagodinho em volta do carro de batidas. E tem o cara do bijou com aquele pandeiro irritante. Só que nada me irrita mais que uma coisa. Quando alguma bola vem parar perto de mim. Pode ser de futebol, de vôlei ou de frescobol. Que raiva que dá. E a fila do chuveirão na hora de ir embora!! Era só o que me faltava.

Essa não é a vida que eu quero para mim. E tem gente que fala que gostaria de viver numa praia. Tem gente que vê beleza e até poesia no mar. Eu vejo apenas sujeira, nojeira e muita amolação. Ah, esqueci… E tem o sol também. E o calor… Ou seja, vocês estão todos loucos. Eu vou ficar sentado num lugar desses, com todos esses problemas que eu já citei, e ainda vou ficar derretendo de calor, suando que nem um porco, embaixo de um guarda-sol e me entupindo de protetor solar? Só se eu estiver caducando. Eu quero mesmo é a minha poltrona. Com as minhas pantufas preferidas, o meu pijama e, se estiver calor, com um ventilador ligado no canto da sala.

Em vez daquela famosa campanha contra as drogas, vou lançar a minha versão: “Praia, tô fora!”

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Será que sou um ET?

Minha mulher tem umas manias que me irritam. Não sei como ela consegue, mas a danada não desgruda os olhos da tv. Ela é realmente louca por esse tal de BBB.

BBB, caso você não saiba, é o Big Brother Brasil. Ou, pra alguns, o Big B#%ta Brasil.

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Tentei, então, ver um pedaço do programa pra tentar entender porque ela gosta tanto daquilo. E estava acontecendo uma festa. E o pessoal dançava animadamente, como se fossem as pessoas mais felizes do mundo. E foi aí que eu não entendi mais nada. Esse pessoal está trancado dentro de uma casa com um monte de gente que nunca viu antes na vida, e está todo mundo feliz? Ué, mas não era pra isso ser um castigo?

E todo mundo naquela casa é muito jovem. Quanta testosterona no ar. Quanta progesterona evaporando pelos poros. E o pessoal se pega mesmo. É um agarra-agarra danado. Ninguém tem o menor pudor. Precisava do Alborghetti pra dar um jeito nisso. Como ele mesmo diria: “É a maior putaria do Brasil!!”

E aí o pessoal precisa tomar banho de sunga ou de biquíni. E fazer o maior malabarismo pra trocar de roupa. E tem que andar com um microfone no corpo o tempo todo. E a minha mulher me disse que o Brasil inteiro se inscreve pra participar dessa porcaria. Todos atrás da fama. Será que estou ficando louco?

Mas aí comecei a descobrir algumas coisas legais nessa joça. As pessoas podem ferrar as outras. Isso é legal. Podem votar em quem elas gostariam que saísse da casa. E tem uma salinha fechada pra poderem falar mal de todo mundo. Mas acho que eu teria um problema nessa parte. Será que eu posso votar pra eliminar todo mundo?

E aí tem também a premiação. A última pessoa a ficar na casa ganha o prêmio de um milhão de reais. Aí sim!! Um milhão de reais. Isso me interessa. Dinheiro é uma das poucas coisas boas da vida. Como eu gosto disso!! Acho que eu ganharia, afinal, não ia ter quem me tirasse de dentro daquela casa. Ia me entocar em algum canto e não ia sair por nada. Garanto que ninguém é mais teimoso que eu. Ah, minha mulher está falando que não é bem assim, que isso é decidido pelo voto das pessoas. Parece que os telespectadores votam em quem deve ser eliminado. Mas aí ficou fácil então. Com o meu carisma e a minha simpatia, é claro que eu ia ganhar essa coisa.

Então é isso. Antes eu me achava um ET por nunca ter visto essa porcaria de programa. Mas agora passei a vê-lo com outros olhos. Será que eu posso me inscrever pro BBB do ano que vem?

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Eu, sou brasileirooooo, com muito orgulhooooo, com muito amooooor

Hoje eu vou falar sério. Não estou afim de brincadeira pro meu lado, tá compreendido? Entrei numa viagem filosófica sobre o país em que vivemos e é sobre isso que vou falar. Quer dizer, que vou escrever.

O Brasil é um país muito louco. Aqui é a terra do samba, do carnaval. Aqui, existem leis que simplesmente “não pegam”. E a gente sempre tenta dar o jeitinho brasileiro.

Aqui, a gente paga imposto até não poder mais. A gente tem um dos maiores índices de violência urbana. E esquece de tudo isso na hora de comemorar o novo ano que começa, na maior felicidade e na esperança que tudo vai ser maravilhoso.

A desigualdade social é uma coisa que não existe igual. A roubalheira dos políticos é algo de encher os olhos. Não vou nem falar da importância que é dada pra educação no país. Mas a gente bate no peito e diz que tem orgulho do nosso país. E canta em coro: “eu, sou brasileiroooo, com muito orgulhoooo, com muito amoooooor”.

Muito além dos políticos, nós temos um vício geral pela corrupção. Está enraizada nos mais diversos setores. Nos órgãos públicos, no comércio, nas ongs, nos esportes, na relação entre a polícia e a sociedade. Mas a gente esquece de tudo, afinal, esse é um país abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza.

No Brasil, em geral, quem é honesto só se ferra. O que importa, hoje em dia, é “se dar bem”, custe o que custar. Inclusive passar por cima dos outros se for preciso. Mas ao entrar na avenida, no desfile de carnaval, somos todos iguais!!

Nesse nosso querido país, pagamos caro por uma previdência social que dificilmente conseguiremos usar. Vai pegar a fila do Inss pra ver o que é bom. Mas a gente é brasileiro, e não desiste nunca.

E na Copa do Mundo? Que alegria. A gente torce pra valer praquele bando de mercenários. Comandados por cartolas parasitas. Mas e daí?  Além de termos a melhor seleção do mundo (ok, isso é piada), não podemos esquecer que Deus é brasileiro.

A gente tem uma cidade afundada nacorrupção e na guerra civil mas insiste em chamá-la de “Cidade Maravilhosa”…  E a gente tem também a maior cidade da américa latina, que caminha para o caos total. Mas a gente prefere chamar isso tudo de progresso.

É isso aí. Não bato no peito e nem digo que tenho orgulho de ser brasileiro. Eu sou simplesmente eu. Walmor Salgado. Um cidadão do mundo. Um ser-humano, independentemente de onde nasceu. Chato de carteirinha. Um verdadeiro rabugento. Mas não sou mané. Antes de você vir com um papinho de patriotismo, pergunte pra você mesmo o que o seu país faz por você. E não digam que se eu estou incomodado que eu me mude, pois estou incomodado sim mas não vou me mudar. Já tô velho pra fazer esse tipo de aventura. Eu vou mesmo é ouvir um Raul Seixas. Cadê meu compacto com “Aluga-se”… É esse que eu vou ouvir. E depois vou dar uma volta que eu ganho mais.

Ei, Rauzito, tem um óculos escuro pra me emprestar?

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Respeito é bom… e conserva os dentes no lugar

Essa meninada juvenil anda perdendo o respeito pelos mais velhos… Eu não sei por que cargas d’água, mas os jovens gostam muito de mim. Talvez seja por toda a sabedoria de vida que tenho acumulada. Mas o fato de eu dar liberdade pra essa juventude escrever comentários no meu site e entrar em contato virtual comigo está fazendo com que eles percam o respeito pela minha pessoa.

Um desses meus fanzinhos veio me abordar na rua no domingo e ficou me torrando a paciência… Disse que fez um podcast e que tinha uma homenagem a mim… O mala aproveitou e me passou o link de onde estava esse podcast (até então eu nem sabia o que era esse tal de podcast).

Enfim, fui até o site ver do que se tratava e não entendi muito bem. O cara fez um arquivo de várias músicas de rock. É tanta barulheira junto que na verdade eu nem posso chamar aquelas coisas de música. Mas aí, no final, apareceu um tal de “Walmor Salgado’s Mix”. Fui ver do que se tratava e vi que esse tal “mix” em minha homenagem era uma mistura de uma música do Bob Dylan com um cantor chamado Marilyn Manson. Nunca tinha ouvido falar desse músico, então fui pesquisar no google e vi que se trata de uma verdadeira aberração da natureza.

Não gostei nem um pouco dessa homenagem e fiquei sem entender. Será que essa mixagem de músicas foi feita com o meu o nome pois o autor quis dizer que eu sou uma mistura de Bob Dylan com Marilyn Manson?

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Bom, se você quiser fazer o download desse tal podcast, vá até o site dessa meninada. Chama-se Site da Firma. Pra mim, eles não passam de um bando de fumetas e badernistas. Se eu pego esse cara que fez essa homenagem pra mim, não responderei por meus atos.Ele vai conhecer, da pior maneira, meu passado de boxeur amador dos anos 60.

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Os pequenos prazeres da vida

A Televisão está uma grande porcaria. Só transmite grandes lixos que torram minha paciência e me corroem lentamente. Mas nem tudo é tão ruim assim. Existe algo na televisão que é capaz de me manter por horas e horas olhando pra tela, totalmente hipnotizado. Eu realmente adoro passar meu tempo assistindo aos programas de televendas!!

Assistir a esses programas na madrugada é uma grande viagem. Um grande barato. Passar horas vendo uma apresentadora explicando as vantagens de você ter uma omeleteira é um prazer inexplicável. A apresentadora explicava, por exemplo, que a vantagem da omeleteira é que ela acaba com aquele problema que é virar a omelete na frigideira. E é verdade! Esse problema não existe mais. E aquela máquina de pão? Jamais eu terei um trambolho daqueles em minha cozinha, mas gosto de ver os apresentadores fazendo. Na última noite, passei mais de meia hora vendo a apresentadora explicando as vantagens de um certo tipo de edredon de cama. A mulher passou um tempão explicando que aquele tecido é isso, que aquele tecido é aquilo… me fala… tem coisa melhor pra ver na televisão?

E aí eles mostram todas as variedades de Gril caseiros. Tem o do George Foreman, tem o de tamanho gigante, tem um outro que você põe os espetinhos na vertical… Realmente demais!! E aí depois entra a seção de tecnologia, e eles mostram que com qualquer máquina fotográfica digital você pode imprimir as fotos em tamanho natural. Eu sei que ninguém vai fazer isso, mas é muito legal ver essas coisas. E depois eles ainda ficam te convencendo a comprar um contador de batimentos cardíacos, uma máquina de fazer espaguete e até uns aparelhos de ginástica revolucionários, como esse da foto, que eu duvido que alguém que não assiste a esses programas sabe como se usa:

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Você também não sabe como se usa isso? Pois então assista a esses programas.

Bom, eu sei que meu nível cultural é muito elevado e a genialidade é sempre difícil de ser compreendida. Por isso, imagino que vocês não vão concordar comigo. Mas a vida é feita de pequenos prazeres. E assistir a programas de televendas por horas a fio é um deles. Um prazer requintado. Para poucos. Coisas de Walmor Salgado, um rabugento que sabe das coisas

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