Arquivo do mês: fevereiro 2009

A Sutil Arte de Fazer Inimigos

Eu li em algum lugar – ou alguém me falou – de um papo entre alguns jornalistas da minha geração, que um homem que se preza deve ter inimigos. E eu concordo plenamente. Se você não tem inimigos, alguma coisa está errada. Se você não tem inimigos,  é porque você é um bunda mole. É porque você aceita tudo que acontece no mundo. Calado. Sem pestanejar.

Mas não ache que você pode mudar essa situação do dia pra noite. E chegar amanhã e dizer: “a partir de hoje, terei inimigos”. Ter inimigos é uma arte. É um jogo de estratégia e raciocínio. Como uma partida de xadrez. Eu fui colecionando muitos inimigos ao longo da minha vida.

Comecei na escola. Desde pequeno, não deixei me intimidar pelos grandões que queriam tirar sarro da minha botinha ortopédica e do suspensório que meus pais me obrigavam a usar. Sempre que alguém vinha me aporrinhar, já metia bica com minha bota ortopédica e usava o suspensório como arma pra atacar aqueles otários. Não teve um que deu conta de sair na porrada comigo.

No trabalho, fui obrigado a apavorar alguns chefes folgados. Não é porque eles eram meus chefes que podiam me humilhar ou faltar com a educação com a minha pessoa. Na primeira patada que eu levava, já respondia com outra patada. E se a hostilidade continuasse, eu lembrava da minha avó, que sempre me dizia: “quando as palavras não bastam, só a violência resolve”. Foi o que eu pensei antes de jogar a máquina de escrever na cabeça de um desgraçado e ser demitido por justa causa. Mais um inimigo pra lista. Mas com a minha honra intacta.Depois colecionei mais alguns inimigos. No condomínio, nas ruas, na internet e em tudo que é lugar que você possa imaginar.

Mas cheguei à conclusão de que ter inimigos é bom. Eles não te telefonam, não te procuram, não pedem dinheiro emprestado. Eles não te amolam!! Muito melhor que ter amigos. Mas aí vai um segredinho do Walmor. A questão é que eu não procurei nada disso. Sempre fiquei na minha. Só esperando pra ser provocado. Assim, quem estava com a razão era sempre eu. E eu tinha a justificativa pra descer o sarrafo nesses fela-da-putas… Como eu disse, ter inimigos é uma arte. Coisa pra quem nasce com o dom. É pra quem pode, não pra quem quer!

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Hoje é meu dia!!

Finalmente temos um dia que presta no ano!! Após essa baixaria generalizada que toma conta do país inteiro, também conhecida como carnaval, eis que chegamos à tão aguardada “Quarta-Feira de Cinzas”… Eu gosto desse dia, afinal, pra mim, a vida é cinza. O mundo é cinza, o dia é cinza e até o céu é cinza.

Ah, minha mulher está me falando que esse dia não tem nada a ver com a cor cinza, mas sim com as cinzas dos mortos e alguma baboseira qualquer da fé cristã que não vou me dar ao trabalho de entender… Mas que se dane… Pra mim, esse dia simboliza a minha pessoa… E é por isso também que vivo em São Paulo, pois essa cidade é cinza… Cinza dos prédios, cinza da sujeira, cinza da poluição.

O cinza é a minha cor… Se bem que a maioria das minhar roupas são bege… Minha coleção de ternos xadrez é quase inteira bege… Acho que é uma cor que tem tudo a ver com a minha personalidade também.

Mas o que interessa é que, com a chegada da quarta-feira de cinzas, acaba aquela putaria generalizada de se adiar tudo pra “depois do carnaval”… Tudo que você precisa, tudo que você quer saber, só será resolvido depois do carnaval… É por isso que esse diacho de país não vai pra frente, pois, como diz o leitor Juan Piñeda, o ano só começa depois do carnaval.

Então tá!! O Carnaval acabou e que começe, então, o ano… E nada melhor que começar desse jeito, numa quarta-feira de cinzas!!

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Em Clima de Carnaval!!

Meu-deus-do-ceu-jesus-cristo-padim-ciço… A ficha caiu… Tentei fingir que nada estava acontecendo mas agora nao tem mais jeito… Está nas rádios.. Está nas tvs… Está no sorriso das pessoas… Está no ar…  Sim, não tem como fugir… O Brasil já está em clima de carnaval!!!!!!

carnaval

Eleger o que existe de pior no carnaval é besteira… São tantas coisas, que não tem como escolher uma… Seria a transmissão sem parar dos bailes e desfiles em todos os canais de televisão?? Seria a baderna que as pessoas fazem nas ruas?? Seriam as marchinhas ridículas?? Não sei, mas o que mais me irrita mesmo é a felicidade que contagia as pessoas nesse período… Me irrita esse monte de gente que diz que está “em clima de carnaval”. Como assim “em clima de carnaval”?? Carnaval, pra mim, é que nem o Alborghetti diz: “É a maior putaria desse meu Brasil”…

Enfim, me irrita muito essa alegria generalizada que toma conta do país. Primeiro que alegria, pra mim, já é um pé no saco… Coisa de otário… E aí eu reflito:as pessoas, em geral, se ferram o ano todo, trabalham pra caramba, ganham mal pra caramba, passam o maior perrengue pra pagar as contas, ficam doentes, são assaltadas, brigam em casa, brigam no trabalho, brigam até com a própria sombra, e depois fica todo mundo na maior alegria porque é carnaval?? Depois falam que o louco sou eu.

Bom, mas o que importa é que, a partir desta sexta, estou entrando em mais um dos meus períodos de clausura. Vou me internar na minha cama, ler alguns livros do simpatissíssimo falecido Paulo Francis, comer muito MMs amarelo, muito pistache, ouvir meus discos do Dick Farney e cantar os refrões junto com meu papagaio. Ele adora Dick Farney!! E depois que essa putaria toda acabar, eu volto a ligar a tv e volto à vida normal. Porque, a partir de agora, estou em clima de carnaval. Mas em clima de carnaval de um jeito bem Walmor Salgado de ser…

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Boca torta e dormente!! Amo muito tudo isso!!

Apesar do mundo ser um grande porre, existem algumas coisas na vida que nos dão um certo prazer…  Eu não gosto de muita coisa, mas também existem algumas que eu gosto… E uma coisa que eu realmente tenho prazer em fazer é ir ao dentista. Fala a verdade: tem coisa melhor que ir ao dentista?

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E eu não gosto do dentista simplesmente por causa da broca. Tudo bem que o motorzinho é mesmo algo muito bacana. Não sei se prefiro o barulho dele ou quando ele começa a abrir um rombo em meu dente. Mas o fato é que a broca produz uma sensação de relaxamento que me faz esquecer completamente do mundo em que vivemos. É algo que todo mundo precisa passar na vida. Fortalece o corpo e a alma. Mas a grande sensação, o que me faz adorar ir ao dentista, com certeza, é a anestesia!!

Que negócio bom. Quem será que inventou a anestesia de dentista? Porque anestesia boa é a anestesia de dentista. Aquela geral, que a gente toma pra operar, não tem a menor graça, pois a gente toma e já dorme… Agora a de dentista não, a de dentista você toma e fica com aquela sensação maluca, com a boca adormecida, meio torta… É demais… O dentista fala pra você não ficar mordendo a bochecha por dentro, pra não ficar se beliscando, mas não tem como… Eu sou completamente viciado nisso.

Pois é, mas esse gosto por anestesia já me causou alguns problemas… Fiquei tão viciado em anestesias que passei semanas e semanas indo direto ao dentista… Eu nem tinha mais cáries para tratar, mas inventava umas dores de dente pra ele mandar ver na agulhada… E esse vício aumentou, e eu comecei a fingir dores dos dois lados da boca, pra levar anestesia dos dois lados! Aí foi o máximo!! Delírio total… Fiquei tão enlouquecido que resolvi que, dali pra frente, só viveria anestesiado… Já pensou? Poder trocar porrada com qualquer um e não sentir dor!! Ficar perguntando coisas no supermercado sem ninguém te entender, afinal você mal consegue mexer a boca!! E quando você não quer falar com as pessoas, usa de desculpa que está anestesiado e não consegue falar direito!!

Eu cheguei pro meu dentista e propus de passar todos os dias lá pra levar anestesia.. É claro que ele não concordou… Saí em busca de outros profissionais um pouco menos éticos, mas a busca foi em vão, ninguém topou também… Aí fui para o mercado negro, e consegui um fornecedor, que me vendia o kit completo, com seringa, agulha e anestesia!! No começo, eram duas doses… Depois foi aumentando, e minha vida se tornou uma grande anestesia!! Eu não sentia mais nada… Andava como um zumbi pelas ruas… Esse vício se tornou uma grande dependência e acabei indo para uma clínica de reabilitação… O tratamento foi complicado, a abstinência foi um problema, mas consegui me libertar do vício.

Hoje, falando francamente, sinto falta daqueles bons tempos… O mundo está tão deprimente que minha vontade é mesmo de me anestesiar…. Tomar umas duas doses e sair por aí, de boca torta e sem sentir nada no rosto… Mas eu sei que não posso fazer isso… Uma primeira dose e já terei uma recaída danada… O jeito mesmo é recorrer ao meu cigarrinho-calmante… Com a minha receita secreta… Cigarrinho esse que, dizem os antepassados, é também remédio pra dor de dente…

Taí, é isso mesmo… Chega de injeção na gengiva… Vou mandar logo essa fumaça pra dentro de meus velhos pulmões e anestesiar logo o corpo e o cérebro de uma vez… E fazer igual ao pintinho daquela piada, que dizia pro gavião: “não tô sentindo nada”… Ô mundão louco… Só assim pra te aguentar!!

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Pesadelo Country Hotel

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No post anterior falei sobre minha vontade de tirar férias… O problema é que, quando lembro de algumas férias que já tirei, já penso logo em desistir. O motivo são alguns traumas do passado… Já falei aqui da minha ojeriza às praias e já falei da confusão que arrumei na Disney… Mas nada se compara ao ano em que fiz a burrice de passar as férias em um hotel fazenda!!!

Lembrando disso, hoje em dia, já me bate um arrependimento. O que diabos eu fui fazer em um hotel fazenda? Na época, meus filhos eram pequenos e achamos que eles iam gostar do passeio, de ter contato com a natureza…. De fato, eles gostaram… Mas acho que só eles gostaram…

A viagem para chegar até lá já foi aquele martírio. Assim que entramos na estrada, uma das crianças já soou o alarme: “quero fazer xixi”. Porra!! Por que a pessoa espera sentar dentro do carro pra ficar com vontade de fazer xixi? Por que não fez antes? Agora não tem onde parar… Enfim, pros meninos é mais fácil resolver essa questão… Mas depois começa aquela outra amolação tradicional: “Tá chegando? E agora, tá chegando?”… Mas que cacete!!! Quando estiver chegando eu aviso vocês!!!! A gente ainda estava na estrada e eu já me arrependia de ter inventado essa viagem.

Ok… Chegamos finalmente ao hotel fazenda… Deixamos as malas no quarto, fomos dar uma volta pra conhecer o local e já fomos logo abordados por alguém que eu preferiria manter bem longe de mim: um monitor!! Isso mesmo… Uma pessoa toda animada, de shorts, regata e bonezinho veio nos abordar… Disse que seria o nosso monitor em todas as atividades durante nossa estadia no hotel… Todas atividades? Foi isso mesmo que ele falou? Já disse logo que não queria saber de atividades e sabe o que o cara disse? “Ah, esse é do tipo que se faz de difícil.. No fim são os que mais se divertem nas atividades”.. Deixei bem claro que não queria saber de atividade nenhuma e o mala disse que não ia me dar sossego, que ia fazer eu suar a camisa…. Porra, eu queria férias e descanso e ele vem me falar de suar a camisa.

Enfim, foi tudo realmente um grande pesadelo… Eu chegava na beira da piscina e aquele imbecil já vinha com aquele bonezinho ridículo e um apito pendurado no peito… Eu não sei de onde esse pessoal tira tanta disposição e tanta animação: “Vamos lá, seu Walmor, vamos começar o dia com um aquecimento e uma partidinha de vôlei dentro da piscina!!” Mas era só o que me faltava. Já disse que não ia fazer nada disso mas minha mulher ficava insistindo… Eu disse que não ia, mas o pessoal queria até me obrigar…. Começaram a me puxar pra dentro da piscina e eu me agarrei no pé de uma mesa… No fim, me puxaram com tanta força que acabaram me segurando na marra e um imbecil deu a idéia de me jogar na piscina!! Me jogaram de roupa e tudo… O pessoal rachou o bico, mas eu não achei a menor graça… Eu queria mesmo era matar um naquele instante… Saí de lá rogando praga em todo mundo ao meu redor…

A partir dali, foi um martírio atrás do outro, ao longo dos dias. Pior de tudo foi o dia em que inventaram um passeio em cavalos… Montei numa égua que falaram que era mansa, mas de mansa ela não tinha nada… Eu nunca tinha subido num bicho daqueles, e, não sei por que, o bicho disparou a galopar… E eu não conseguia faze-la parar… Comecei a gritar desesperado por socorro, pra alguém me ajudar, e, a danada corria cada vez mais… Instintivamente, puxei as rédeas com tudo… A égua desgraçada deu um empinão que me mandou direto pro solo… Cai com as costas no chão e dei um mal jeito desgraçado na minha coluna… Precisaram correr comigo pro pronto socorro e descobri que desloquei a clavícula… Voltei pro hotel com um baita colete de gesso e ainda por cima com o pescoço imobilizado.

Passei o resto dos dias desse jeito… Foi uma maravilha!! Ficava sentado na beira da piscina, todo engessado, sem poder fazer nada… Aquilo, pra mim, foi uma dádiva, uma benção dos céus… Nenhum monitor veio me pegar pra participar de “atividades”… Não fui mais obrigado a brincar em gincanas imbecis e muito menos a andar em bichos selvagens que não foram feitos para pessoas urbanas como eu… Não podia ter acontecido nada melhor pra mim… A partir desse ano, passei a me precaver melhor em relação a minhas férias… Normalmente, prefiro passar trancado dentro do meu apartamento… Sem monitores, sem sol, sem piscina, sem atividades… Mas nas vezes em que a viagem com a família foi inevitável, já saí de casa precavido… Depois daquele ano, nunca mais eu viajei sem o meu colete de gesso!!

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Vinde a mim, ó ETS!!

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Pois é… A cabeça cansou e eu não tenho tido o menor saco pra escrever nessa joça… O problema é que não fiz nada nos últimos dias e, por isso, nada tenho pra contar pra vocês… A única coisa que eu sei é que uma idéia tem freqüentado a minha cabeça permanentemente: eu preciso de férias… É isso mesmo… Férias.

Eu não trabalho. Já me aposentei. Também não estudo, não faço cursos, nada do tipo. E então você pensa: mas por que férias? Porque sim, oras bolas. Ando muito estressado com esse cotidiano da cidade grande. A vida urbana é mesmo de arrancar os cabelos.

De manhã, acordo com a sinfonia das buzinas. O trânsito aqui na frente de casa é intenso e o pessoal não tem o menor respeito por quem está dormindo. Enfia a mão na buzina em plena manhã. Tem dia que são onze horas da manhã e o pessoal não me deixa dormir em paz!! É um absurdo.

E aí tem a barulheira dos vizinhos. Tem um casal no apartamento de cima que vive brigando. Tem um outro que tem crianças que fazem a maior bagunça. E tem a menina emo que fica ouvindo umas músicas muito ruins num volume absurdo. E aí passa o caminhão do morango aqui na frente com aquele alto falante irritante. E aí vem o porteiro do prédio entregar um monte de correspondências. E a maioria são contas pra pagar! E aí vem a minha mulher que não pára de falar um instante sequer. E aí não tem nada que preste pra ver na televisão (com exceção dos incrível canal Shoptime). E aí eu penso em dar uma volta. Mas eu não quero ter contato com as outras pessoas. Eu quero ficar em casa. Mas também não quero ficar em casa!! Eu não sei o que faço. Isso tudo está me deixando louco!

Quer dizer. Está nada. Nada disso me afeta. A bem da verdade, já estou acostumado a todas essas amolações da vida cotidiana. Como diriam antigamente, sou macaco velho. E como diria aquele pagodeiro alcoólatra, deixa a vida me levar. Está tudo bem, a vida é assim mesmo. Mas não é por isso que vou ficar sorrindo, com cara de otário. Vou mesmo é providenciar umas férias. Mas, pelo jeito, eu preciso mesmo é de férias desse mundo. Será que não tem nenhum ET afim de me abduzir? Venham extraterrestres!! Venham me levar desse mundo. Como diziam aquelas garotas que rodavam bolsinha no Largo do Arouche nos anos 60, “vem nimim que que tô facinho”!!

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Sexta-Feira 13

E eis que chegamos a mais uma das datas estúpidas do ano. Hoje é sexta-feira 13. O tão temido dia do azar.

Desculpem-me. Eu nunca consegui acreditar que se eu for assaltado, pode ter sido porque eu passei embaixo de uma escada. Eu jamais seria convencido de que tudo deu errado pra mim num dia só porque um gato preto passou na minha frente. É por essas e outras que, numa sexta-feira 13 de alguns anos atrás, eu resolvi por à prova o máximo de superstições de uma vez.

Comecei o dia colocando primeiro o pé esquerdo no chão. Afinal, como diz um amigo meu, melhor acordar com o pé esquerdo do que sem ele. Depois, deixei um chapéu em cima da cama e fiquei batendo a sola dos meus sapatos uma na outra. Ao sair na rua, procurei uma escada e, é claro, passei embaixo. Tudo mais que pudesse dar azar eu fiz, e isso tudo em plena sexta-feira 13. Meu dia foi chegando ao fim e eu conseguia mostrar pra mim mesmo que estava certo. Que mané azar o que?? Superstição é mesmo coisa para trouxas.

Me preparei então para relaxar um pouco. Coloquei meu pijama, minhas pantufas preferidas e fui repousar na poltrona. Minha campainha tocou. Mas quem diabos iria tocar na minha casa? Eu não tenho amizade com nenhum vizinho. Surpresa!!!! Parentes distantes!! Que eu não via há muito tempo. Aquele povo todo do interior de Minas Gerais. Alguns que eu nem lembro o nome. Tinha até uma tia minha!! Essa deve ser mais velha que a Hebe Camargo! Falaram que estavam de passagem por São Paulo e resolveram fazer uma visitinha. Era só o que me faltava. Ficar fazemdo sala pra parentes.

Depois que eles foram embora, minha mulher veio me falar: “Tá vendo, quem mandou brincar com o azar”. Brincar com azar? Até parece que foi por causa de tudo que eu fiz nesse dia que acabei recebendo esse presentão. Não dou o braço a torcer. Isso tudo foi coincidência. E pra comprovar, me proponho a fazer tudo de novo numa próxima sexta-feira 13. Mas uma coisa eu prometo. Não atendo mais a campainha!!

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