Amargura, amargura… Começou tudo de novo…

Dizem que a vida anda em ciclos. Que o tempo anda em ciclos e que as coisas acontecem em ciclos. E eu acho que isso é verdade. E é de ciclo em ciclo que todo ano chega essa temível época. Essa odiosa época. Essa degradante época. A época das férias escolares!

Quem não mora em prédio provavelmente não sabe o terror que é esse período do ano. O mês de julho é terrível! A criançada começa logo cedo a jogar bola na quadra, a gritar muito, a fazer a maior bagunça na piscina e – fazendo jus ao nome – a correr pelos corredores!!! Como essas crianças tem energia!! Que disposição!! Parece que o fim temporário do período de aulas desperta um sentimento de liberdade nessas crianças e ativa alguma região no cérebro para a perda total de noção da convivência social.

Para a parte do dia, desenvolvi algumas técnicas para sobreviver a esse martírio.  Simplesmente não saio de casa, pra não ter contato nenhuma com essa molecada. Pelo menos isso não é nenhum sacrifício pra mim. E passo o dia inteiro com o som no volume muito alto. Ouvindo meus vinis e cantando em alto e bom som. Ultimamente tenho ouvido muito Carlos Gardel!

Mas o problema é a parte da manhã. Não dá pra dormir com o som ligado e todas as manhãs essa criançada me acorda com seu ensurdecedor barulho matinal!!! A correria lá embaixo começa cedo!! Tentei até dormir com alguma coisa pra tampar os ouvidos. Mas isso ataca minha labirintite. E até agora nada funcionou. Algodão, tampão de silicone de natação, fone de ouvido… Nada. Já tentei até umas receitas caseiras, um mingau meio endurecido de farinha de trigo com água… Fiz a maior sujeira e ainda fiquei uma semana com farinha dentro do ouvido!! Se alguém tiver alguma sugestão, pode me falar.

Mas enfim. Não culpo essas crianças. Apesar de não ter o menor saco pra elas (nem bebê eu consigo achar “bonitnho”… acho um porre…) A culpa é dos pais! Esses acéfalos que dão uma sobrecarga de açúcar diariamente pro seus rebentos. Já começam com aquela tijela de leite com muito açúcar acompanhada de um sucrilhos que também tem muito açúcar. Pra acompanhar, um copo de leite – com muito açúcar – com toddy que também tem muito açúcar. E depois dá-lhe doces, refrigerantes e muito mais açúcar. Depois não sabem porque essas crianças pareçam estar em transe quando saem gritando e se esperneando que nem loucas. Elas estão em transe!! Oras bolas!! Elas estão ligadonas de tanto açúcar, de tanta energia!!! E a culpa é sim de vocês, seus acéfalos. Odeio todos. Todos os vizinhos, os pais e os filhos.

Por isso, conclamo todos a aderir à campanha: “Por um mundo melhor, por um mundo sem açúcar”. Afinal, a vida é amarga. E eu sou amargo também. E dá licença que, como diria o Raulzito, vou tomar meu café pra fumar. E vou ouvir mais um pouco de Gardel. Ah, e o café é sem açúcar, claro.

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