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Vamos a la plaia?

Ai, ai, hein… Parece que o ano começou. Se bem que, como me disse o Juan Piñeda, o ano só começa depois do carnaval. Mas a volta às aulas trouxe uma infinidade de gente pras ruas que faz todo aquele sentimento de desgosto voltar a correr em minhas veias. As ruas estão cheias novamente, e minha vontade de me enfurnar em casa passa a ser enorme.

Como me irrita conviver com a civilização. Não sei nem porque tem esse nome, afinal, de civilizada ela não tem nada. E por onde andava essa gente toda que não estava na cidade durante esse tempo todo? Estava no inferno? Não. Resposta errada. Mas estava em um lugar bem parecido com a temível casa do capeta. Esse povo todo estava na praia!!

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E aí eu me pergunto: o que tem pra se fazer de tão bom na praia que faz com que o povo todo se amontoe por lá? Eu acho praia uma das coisas mais nojentas que existe. Faz mais ou menos uns 35 anos que eu não mergulho no mar. Ainda me lembro a última vez em que entrei na água. Falei pra minha mulher: “Vou entrar na água, vou dar um mergulho daqueles”. E ela: “que entrar na água o que!! essa água é suja”. E eu rebati: “suja nada, olha quanta gente nadando”. Ela falou novamente pra eu não entrar mas é claro que eu ganho na teimosia e fui lá pra dentro do mar. Só deu tempo de eu molhar os pés e um baita dum “chokito” já veio rolando na minha direção. Saí da água correndo pra nunca mais voltar. O mar, pra mim, nada mais é que um grande banheiro público e coletivo.

Sem entrar no mar, só nos resta curtir a areia. E alguns poucos minutos são o suficiente pra você ficar com a pele toda sebosa por causa daquele vento melequento que existe na praia. E não dá nem pra por o pé na areia. O risco de pegar micose, bicho de pé, bicho geográfico é grande. Sem contar o perigo de você pisar num caco de vidro deixado por algum farofeiro ou em algum espinho de rosa dessas macumbas que sempre aparecem boiando. E aí tem aqueles vendedores que passam gritando e te dão aquele susto. E tem o pessoal que agita um pagodinho em volta do carro de batidas. E tem o cara do bijou com aquele pandeiro irritante. Só que nada me irrita mais que uma coisa. Quando alguma bola vem parar perto de mim. Pode ser de futebol, de vôlei ou de frescobol. Que raiva que dá. E a fila do chuveirão na hora de ir embora!! Era só o que me faltava.

Essa não é a vida que eu quero para mim. E tem gente que fala que gostaria de viver numa praia. Tem gente que vê beleza e até poesia no mar. Eu vejo apenas sujeira, nojeira e muita amolação. Ah, esqueci… E tem o sol também. E o calor… Ou seja, vocês estão todos loucos. Eu vou ficar sentado num lugar desses, com todos esses problemas que eu já citei, e ainda vou ficar derretendo de calor, suando que nem um porco, embaixo de um guarda-sol e me entupindo de protetor solar? Só se eu estiver caducando. Eu quero mesmo é a minha poltrona. Com as minhas pantufas preferidas, o meu pijama e, se estiver calor, com um ventilador ligado no canto da sala.

Em vez daquela famosa campanha contra as drogas, vou lançar a minha versão: “Praia, tô fora!”

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