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O Pesadelo não acabou

Como isso pode acontecer? Não pode ser verdade. E eu que achava que não tinha mais nada pra reclamar sobre essa época do ano. Será que eu deveria virar um urso e hibernar por 6 meses?

Desde o final da semana passada já notei o retorno de um famoso evento dos finais de ano: as confraternizações de firma. Aquela galera enorme se reunindo em churrascarias, aquele clima de oba-oba, amigo secreto, todo mundo bebendo bastante. Um bando de badernistas. Mas enfim, normal, como sempre. Desde que essas churrascarias e essas pessoas estejam longe de mim, não vejo problema. Mas meu pesadelo aconteceu nesta noite de terça, antevéspera de Natal.

Bem perto da minha casa, acreditem, existe uma churrascaria. Bem tranqüila, não tem muito movimento, é sossegada. Mas eis que vou chegando em casa e, já de longe, noto uma grande concentração de gente. Percebo que ocorre ali uma dessas confraternizações. Mas esse pessoal… Esse pessoal estava bem animado. O barulho era alto. Realmente alto. E, na hora em que cheguei, estava rolando um karaokê. Não pode ser. Isso é tortura demais pra mim. Mas o pior ainda estava por vir. Já não bastavam os cantores desafinados e o pessoal animado cantando junto. No auge da alegria coletiva, ouço começar a tocar um grupo de pagode. O povo foi a loucura. Eeeee!!!! Quanta alegria. Aquele pagode se estendeu por algumas horas. E eu, tentando não ouvir aquela balbúrdia. Tentava não ouvir e pensava no que eu poderia fazer. Tacar uma bomba? Não, nem tenho como fazer isso. Chamar a polícia? Não tenho saco pra ligar no 190. E pensava com meus botões: “Mas hoje ainda é dia 23 de dezembro. O fim do ano não é só daqui a uma semana?”

Enfim. Pensei que talvez isso pudesse ser alguma penitência que eu tenho que pagar em vida. Algum castigo. Como de costume, tranquei-me em minha biblioteca, peguei meu saco de pistaches, e, neste dia, coloquei um disco do Nat King Cole no volume bem alto. Os graves que saiam do pagodão ainda chegavam na minha casa, mas consegui fugir um pouco daquela encheção. Durante as músicas, voltei a viajar na imaginação. Afinal, por que eu não posso mesmo ser igual um urso e hibernar por alguns meses? Seria uma boa idéia.

Acho que vou começar a praticar. O problema é escolher que época do ano eu ia querer evitar e passar dormindo. Natal? Ano Novo? Carnaval? Dia dos Pais? Dia das Mães? Dia das Crianças? Não é possível. Odeio todas. Qual será a solução? Será que eu devo morrer?

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