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Enfiem a vuvuzela no rabo!

Tudo transcorria tranquilamente. Eram 11hs da manhã e eu ainda dormia meu sono pesado, já que sou um velho aposentado que não preciso acordar cedo e trabalhar para comprar meus remédios.

Eu disse dormia, pois era isso que eu fazia e não pude mais fazer. Do outro lado da minha janela, escutava um monte de gente cantando em coro: “WALMOR, CADÊ VOCÊ, EU VIM AQUI SÓ PRA TE VER”.

Isso não podia ser verdade. Antes mesmo de abrir a janela, já peguei um balde d’àgua para jogar nesses malas. Peguei o balde, abri a janela e, antes de virá-lo na cabeça das pessoas, soltei o verbo: “Seus malas sem alça!!! Peguem essas cornetas e enfiem no rabo!!!”. Qual não foi minha surpresa quando um moleque disse: “Seu Walmor, isso não é corneta. Isso é uma vuvuzela”.

VUVUZELA? Era só o que me faltava. Desde que me conheço por gente, isso sempre foi uma corneta. Desde que assisti a final da Copa de 1950 no Maracanã, isso era uma corneta. Agora eles vem me falar que isso se chama Vuvuzela?

Mas enfim, voltando ao tormento da minha manhã, perguntei aos maledetos: “O que vocês querem aqui? Por que vocês estão cantando essa música sem graça pra mim?”. Eles falaram que queriam saber porque eu nunca mais atualizei essa joça de site. “A gente tá com saudade, seu Walmor… Atualiza o site!!”. E já emendaram com o coro imbecil de novo: “WALMOR, CADÊ VOCÊ, EU VIM AQUI SÓ PRA TE VER”.

Mandei aqueles moleques sem graça irem ver se eu estava na esquina. Já disse que não quero ninguém me cobrando porque eu atualizo ou deixo de atualizar essa porcaria. Mas, pra que fique claro, vou compartilhar meu drama com vocês. Eu entrei em mais um período de hibernação. Assim que o ano começou, lembrei que estamos em ano de Copa do Mundo. E isso é uma das piores torturas para mim. O barulho, a bagunça e a torcida nem são os piores problemas para mim. O problema, mesmo, é o excesso de alegria! É muita festa pra um país só. É muita alegria contagiando o povo. Eu não aguento. Alegria é um sentimento que eu não possuo. Não sei nem como é.

Por isso, estou hibernando na minha casa. Não vou ligar a televisão e nem o rádio. E, quando entrar na internet, vou tomar o maior cuidado para não ver nada relacionado a essa palhaçada chamada Copa do Mundo. Um evento que prega a confraternização e é sinônimo de alegria. Estou, definitivamente, fora!

E sem contar que isso que eles jogam hoje em dia não é futebol. Bom, mas isso é assunto para minha próxima postagem. Porque agora vou para debaixo do meu edredon.

Ah, e antes que eu esqueça. É claro que eu virei o balde d’água em cima daquela molecada juvenil. Pena que eu não consegui estragar nenhuma daquelas vuvuzelas. Quer dizer, Vuvuzela é o #$@%@&!! Aquilo é corneta! CORNETA! E como eu disse antes, eu espero que vocês, brasileiros que entram nesse estado de extase imbecil durante a Copa do Mundo, enfiem suas cornetas, vuvuzelas, apitos, pandeiros e bandeiras naquele lugar mesmo. Quem sabe, assoprando por lá, sai um som um pouquinho melhor.

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Eu, sou brasileirooooo, com muito orgulhooooo, com muito amooooor

Hoje eu vou falar sério. Não estou afim de brincadeira pro meu lado, tá compreendido? Entrei numa viagem filosófica sobre o país em que vivemos e é sobre isso que vou falar. Quer dizer, que vou escrever.

O Brasil é um país muito louco. Aqui é a terra do samba, do carnaval. Aqui, existem leis que simplesmente “não pegam”. E a gente sempre tenta dar o jeitinho brasileiro.

Aqui, a gente paga imposto até não poder mais. A gente tem um dos maiores índices de violência urbana. E esquece de tudo isso na hora de comemorar o novo ano que começa, na maior felicidade e na esperança que tudo vai ser maravilhoso.

A desigualdade social é uma coisa que não existe igual. A roubalheira dos políticos é algo de encher os olhos. Não vou nem falar da importância que é dada pra educação no país. Mas a gente bate no peito e diz que tem orgulho do nosso país. E canta em coro: “eu, sou brasileiroooo, com muito orgulhoooo, com muito amoooooor”.

Muito além dos políticos, nós temos um vício geral pela corrupção. Está enraizada nos mais diversos setores. Nos órgãos públicos, no comércio, nas ongs, nos esportes, na relação entre a polícia e a sociedade. Mas a gente esquece de tudo, afinal, esse é um país abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza.

No Brasil, em geral, quem é honesto só se ferra. O que importa, hoje em dia, é “se dar bem”, custe o que custar. Inclusive passar por cima dos outros se for preciso. Mas ao entrar na avenida, no desfile de carnaval, somos todos iguais!!

Nesse nosso querido país, pagamos caro por uma previdência social que dificilmente conseguiremos usar. Vai pegar a fila do Inss pra ver o que é bom. Mas a gente é brasileiro, e não desiste nunca.

E na Copa do Mundo? Que alegria. A gente torce pra valer praquele bando de mercenários. Comandados por cartolas parasitas. Mas e daí?  Além de termos a melhor seleção do mundo (ok, isso é piada), não podemos esquecer que Deus é brasileiro.

A gente tem uma cidade afundada nacorrupção e na guerra civil mas insiste em chamá-la de “Cidade Maravilhosa”…  E a gente tem também a maior cidade da américa latina, que caminha para o caos total. Mas a gente prefere chamar isso tudo de progresso.

É isso aí. Não bato no peito e nem digo que tenho orgulho de ser brasileiro. Eu sou simplesmente eu. Walmor Salgado. Um cidadão do mundo. Um ser-humano, independentemente de onde nasceu. Chato de carteirinha. Um verdadeiro rabugento. Mas não sou mané. Antes de você vir com um papinho de patriotismo, pergunte pra você mesmo o que o seu país faz por você. E não digam que se eu estou incomodado que eu me mude, pois estou incomodado sim mas não vou me mudar. Já tô velho pra fazer esse tipo de aventura. Eu vou mesmo é ouvir um Raul Seixas. Cadê meu compacto com “Aluga-se”… É esse que eu vou ouvir. E depois vou dar uma volta que eu ganho mais.

Ei, Rauzito, tem um óculos escuro pra me emprestar?

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