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Eu, sou brasileirooooo, com muito orgulhooooo, com muito amooooor

Hoje eu vou falar sério. Não estou afim de brincadeira pro meu lado, tá compreendido? Entrei numa viagem filosófica sobre o país em que vivemos e é sobre isso que vou falar. Quer dizer, que vou escrever.

O Brasil é um país muito louco. Aqui é a terra do samba, do carnaval. Aqui, existem leis que simplesmente “não pegam”. E a gente sempre tenta dar o jeitinho brasileiro.

Aqui, a gente paga imposto até não poder mais. A gente tem um dos maiores índices de violência urbana. E esquece de tudo isso na hora de comemorar o novo ano que começa, na maior felicidade e na esperança que tudo vai ser maravilhoso.

A desigualdade social é uma coisa que não existe igual. A roubalheira dos políticos é algo de encher os olhos. Não vou nem falar da importância que é dada pra educação no país. Mas a gente bate no peito e diz que tem orgulho do nosso país. E canta em coro: “eu, sou brasileiroooo, com muito orgulhoooo, com muito amoooooor”.

Muito além dos políticos, nós temos um vício geral pela corrupção. Está enraizada nos mais diversos setores. Nos órgãos públicos, no comércio, nas ongs, nos esportes, na relação entre a polícia e a sociedade. Mas a gente esquece de tudo, afinal, esse é um país abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza.

No Brasil, em geral, quem é honesto só se ferra. O que importa, hoje em dia, é “se dar bem”, custe o que custar. Inclusive passar por cima dos outros se for preciso. Mas ao entrar na avenida, no desfile de carnaval, somos todos iguais!!

Nesse nosso querido país, pagamos caro por uma previdência social que dificilmente conseguiremos usar. Vai pegar a fila do Inss pra ver o que é bom. Mas a gente é brasileiro, e não desiste nunca.

E na Copa do Mundo? Que alegria. A gente torce pra valer praquele bando de mercenários. Comandados por cartolas parasitas. Mas e daí?  Além de termos a melhor seleção do mundo (ok, isso é piada), não podemos esquecer que Deus é brasileiro.

A gente tem uma cidade afundada nacorrupção e na guerra civil mas insiste em chamá-la de “Cidade Maravilhosa”…  E a gente tem também a maior cidade da américa latina, que caminha para o caos total. Mas a gente prefere chamar isso tudo de progresso.

É isso aí. Não bato no peito e nem digo que tenho orgulho de ser brasileiro. Eu sou simplesmente eu. Walmor Salgado. Um cidadão do mundo. Um ser-humano, independentemente de onde nasceu. Chato de carteirinha. Um verdadeiro rabugento. Mas não sou mané. Antes de você vir com um papinho de patriotismo, pergunte pra você mesmo o que o seu país faz por você. E não digam que se eu estou incomodado que eu me mude, pois estou incomodado sim mas não vou me mudar. Já tô velho pra fazer esse tipo de aventura. Eu vou mesmo é ouvir um Raul Seixas. Cadê meu compacto com “Aluga-se”… É esse que eu vou ouvir. E depois vou dar uma volta que eu ganho mais.

Ei, Rauzito, tem um óculos escuro pra me emprestar?

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1 comentário

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Obrigado, Senhor

Se eu acreditasse em Deus, hoje eu diria: “Obrigado, Senhor”… Obrigado, Senhor, por eu ter uma aposentadoria razoável, que permite que eu me ocupe mais nos meus trabalhos autorais e não precise procurar algum sub-emprego disponível para velhos aposentados. E eu não estou falando de ser homem-placa no centro de são paulo, entregador de folheto de cartomante e nem de vendedor de refrigerante dentro do estádio. Eu estou falando do pior, do mais amargo, do mais sacal, do mais temível emprego que um idoso pode se sujeitar: Papai Noel de Shopping Center!!

santamall2

Meu Deus do Céu.. Ah, desculpe, eu disse que não acredito em Deus… Mas então, o que faz um velhinho merecer passar por tortura tão grande? Entendo que deve ser a necessidade do dinheiro, mas o dinheiro precisa vir tão sofrido assim? Pude observar neste último final de semana o trabalho de um deles. O velhinho chegou, estava de cara fechada, parecia ser bem rabugento… Colocou as luvas, ajeitou algumas coisas numa estante cenográfica e, quando ele virou para a fila que já se formava, estava com o mais belo dos sorrisos. Que sorriso puro, que sorriso bonito. O espírito do Natal pairava no ar. Ah, vão catar coquinho todos vocês antes que eu me esqueça.

Vieram então as primeiras crianças. A mãe colocava seus bebês no colo do papai noel e rapidamente tirava uma foto deles. Depois chegaram algumas crianças um pouco maiores, que também sentaram no colo do bom velhinho pra que os pais registrassem a imagem. E ele com aquele sorriso no rosto. E eis que então uma mamãe disse que também queria tirar foto com o papai noel e sentou no colo dele. Só que ela estava meio acima do peso, mas mesmo assim sentou no colo dele, que continuou com aquele sorriso. E outras crianças continuaram vindo, e não só crianças. A gordinha acabou inspirando outros adultos a fazerem o mesmo. “Esse cara vai acabar o dia com hematomas, com a perna em carne viva”, pensei com meus botões. Como é possível? Em 10 minutos, umas 20 pessoas já tnham sentado no colo dele… E ele ainda tinha algumas longas horas pela frente.. Esse homem deve ter feito alguma coisa muito ruim no passado pra merecer uma coisa dessas…

Depois, ao lado disso tudo, pude notar uma mesa pra onde as pessoas iam depois de bater sua foto com o papai noel. Era pra imprimir a sua foto na hora. É isso mesmo. Depois de tirar sua foto com o bom velhinho, era só pagar alguns reais e sair com a foto impressa na hora. É lógico. Eles sempre dão um jeito de tirar o seu dinheiro. Ah, o espírito natalino. Onde as pessoas respiram amor e compaixão, só vejo capitalismo e hipocrisia. Lembrei então de meu filho Adamastor, que quando era jovem gostava de um conjunto de rock chamado Garotos Podres. Apesar de gostar desse nome, não me lembro de nenhuma música deles. Só lembro de um singelo trecho de uma letra deles, que naquele momento me veio à cabeça: “Papai Noel, filho da puta. Rejeita os miseráveis. Eu quero matá-lo”… E antes que eu me esqueça: “Obrigado Senhor, por eu não precisar ser um papai noel de shopping center”.

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