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A Sutil Arte de Fazer Inimigos

Eu li em algum lugar – ou alguém me falou – de um papo entre alguns jornalistas da minha geração, que um homem que se preza deve ter inimigos. E eu concordo plenamente. Se você não tem inimigos, alguma coisa está errada. Se você não tem inimigos,  é porque você é um bunda mole. É porque você aceita tudo que acontece no mundo. Calado. Sem pestanejar.

Mas não ache que você pode mudar essa situação do dia pra noite. E chegar amanhã e dizer: “a partir de hoje, terei inimigos”. Ter inimigos é uma arte. É um jogo de estratégia e raciocínio. Como uma partida de xadrez. Eu fui colecionando muitos inimigos ao longo da minha vida.

Comecei na escola. Desde pequeno, não deixei me intimidar pelos grandões que queriam tirar sarro da minha botinha ortopédica e do suspensório que meus pais me obrigavam a usar. Sempre que alguém vinha me aporrinhar, já metia bica com minha bota ortopédica e usava o suspensório como arma pra atacar aqueles otários. Não teve um que deu conta de sair na porrada comigo.

No trabalho, fui obrigado a apavorar alguns chefes folgados. Não é porque eles eram meus chefes que podiam me humilhar ou faltar com a educação com a minha pessoa. Na primeira patada que eu levava, já respondia com outra patada. E se a hostilidade continuasse, eu lembrava da minha avó, que sempre me dizia: “quando as palavras não bastam, só a violência resolve”. Foi o que eu pensei antes de jogar a máquina de escrever na cabeça de um desgraçado e ser demitido por justa causa. Mais um inimigo pra lista. Mas com a minha honra intacta.Depois colecionei mais alguns inimigos. No condomínio, nas ruas, na internet e em tudo que é lugar que você possa imaginar.

Mas cheguei à conclusão de que ter inimigos é bom. Eles não te telefonam, não te procuram, não pedem dinheiro emprestado. Eles não te amolam!! Muito melhor que ter amigos. Mas aí vai um segredinho do Walmor. A questão é que eu não procurei nada disso. Sempre fiquei na minha. Só esperando pra ser provocado. Assim, quem estava com a razão era sempre eu. E eu tinha a justificativa pra descer o sarrafo nesses fela-da-putas… Como eu disse, ter inimigos é uma arte. Coisa pra quem nasce com o dom. É pra quem pode, não pra quem quer!

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