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Vivendo e Envelhecendo… Devagar e Sempre…

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Essa artrite está uma coisa danada. Dói cada junta do meu corpo ao digitar nesse teclado que eu comprei em 1989 pro meu PC XT. Ele não é aquela maravilha. Mas até hoje eu não troquei porque, afinal de contas, ele está funcionando ainda… Mas o problema mesmo é essa artrite. Eu sabia que essa minha vida tão ativa, sempre sentado numa cadeira, numa poltrona ou no trono, me deixariam assim.

Mas o que importa isso que eu estou falando?? Eu quero mais é que essa artrite se dane. Como diz um conhecido meu: “a dor é para os fracos”. E eu não vou ficar aqui chorando as mágoas ou reclamando. O único problema dessa artrite é que ela fica me lembrando de uma coisa o tempo todo: que eu estou ficando velho.

Eu sabia que isso iria acontecer. Mais cedo ou mais tarde iria acontecer. Mas tudo bem. Na verdade, o que eu sempre quis na minha vida foi me aposentar. E depois que eu consegui, está tudo bem. Por isso, eu não acho ruim ser velho. Eu gosto de ser velho. Um velho chato e rabugento. Ser velho (60 e poucos é ser velho?) não é ruim. Ser velho, na verdade, só me traz vantagens. Vamos a elas:

– Essa vocês já sabem: ter vantagem de passar na frente em filas, ônibus de graça, vagas melhores em estacionamentos e outras regalias do tipo. Ver o pessoal na fila do banco me olhando com raiva e pensando “esse tiozinho nem é tão velho assim, ele tinha que pegar a fila e passar depois de mim”, é uma coisa que não tem preço. Hahaha. Uma banana pra vocês, seus babacas… Eu tenho o direito de passar na sua frente… Mas, enfim, isso é pra ser uma lista, então vamos ao próximo item:

– Possibilidade de ser um aposentado. Ser velho é poder ser um aposentado. E isso é bom demais. Quer dizer, desde que você não precise sobreviver do INSS, é claro. E, por isso, pessoas que não são aposentadas, morram de inveja. Vocês, que saem todos os dias para trabalhar, que aguentam chefes babacas, que passam stress e tudo o mais. Eu não preciso passar por nada disso. Eu sou um aposentado. Feliz e aposentado!

– Meia entrada. Pois é. Diferentemente da maioria das pessoas que eu vejo, eu não preciso falsificar carteirinha de estudante pra pagar meia entrada. E melhor ainda: eu não preciso estudar pra poder tirar a carteirinha honestamente. Eu simplesmente tenho direito à meia entrada. Se bem que eu quase não uso, porque eu evito ir para lugares com aglomerações ou que tenham simplesmente a presença de outras pessoas. Só o Cauby com seu show no Bar Brahmma mesmo pra me fazer ir para algum lugar público. Mas enfim, eu tenho direito à meia entrada e isso é o que importa.

Existem muito outros motivos pra eu dizer que ser velho é bom demais. Ser velho é quase não fazer mais cagadas na vida, pois provavelmente você já fez todas que tinha que fazer e já aprendeu com elas.

Na cultura oriental, o velho é uma pessoa muito admirada e respeitada, pois todos sabem que essa pessoa é mais experiente e mais sábia.

Mas nada disso tudo que eu disse aqui se compara à grande vantagem de ser velho: ter a certeza que você está cada vez mais perto de morrer. Isso é o que me mais me motiva em ser velho! A esperança de me ver cada vez mais próximo do dia em que não terei mais que aguentar esse mundo podre em que vivemos. O dia em que não terei mais que aturar gente mala. O dia em que serei realmente feliz.

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Eu, sou brasileirooooo, com muito orgulhooooo, com muito amooooor

Hoje eu vou falar sério. Não estou afim de brincadeira pro meu lado, tá compreendido? Entrei numa viagem filosófica sobre o país em que vivemos e é sobre isso que vou falar. Quer dizer, que vou escrever.

O Brasil é um país muito louco. Aqui é a terra do samba, do carnaval. Aqui, existem leis que simplesmente “não pegam”. E a gente sempre tenta dar o jeitinho brasileiro.

Aqui, a gente paga imposto até não poder mais. A gente tem um dos maiores índices de violência urbana. E esquece de tudo isso na hora de comemorar o novo ano que começa, na maior felicidade e na esperança que tudo vai ser maravilhoso.

A desigualdade social é uma coisa que não existe igual. A roubalheira dos políticos é algo de encher os olhos. Não vou nem falar da importância que é dada pra educação no país. Mas a gente bate no peito e diz que tem orgulho do nosso país. E canta em coro: “eu, sou brasileiroooo, com muito orgulhoooo, com muito amoooooor”.

Muito além dos políticos, nós temos um vício geral pela corrupção. Está enraizada nos mais diversos setores. Nos órgãos públicos, no comércio, nas ongs, nos esportes, na relação entre a polícia e a sociedade. Mas a gente esquece de tudo, afinal, esse é um país abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza.

No Brasil, em geral, quem é honesto só se ferra. O que importa, hoje em dia, é “se dar bem”, custe o que custar. Inclusive passar por cima dos outros se for preciso. Mas ao entrar na avenida, no desfile de carnaval, somos todos iguais!!

Nesse nosso querido país, pagamos caro por uma previdência social que dificilmente conseguiremos usar. Vai pegar a fila do Inss pra ver o que é bom. Mas a gente é brasileiro, e não desiste nunca.

E na Copa do Mundo? Que alegria. A gente torce pra valer praquele bando de mercenários. Comandados por cartolas parasitas. Mas e daí?  Além de termos a melhor seleção do mundo (ok, isso é piada), não podemos esquecer que Deus é brasileiro.

A gente tem uma cidade afundada nacorrupção e na guerra civil mas insiste em chamá-la de “Cidade Maravilhosa”…  E a gente tem também a maior cidade da américa latina, que caminha para o caos total. Mas a gente prefere chamar isso tudo de progresso.

É isso aí. Não bato no peito e nem digo que tenho orgulho de ser brasileiro. Eu sou simplesmente eu. Walmor Salgado. Um cidadão do mundo. Um ser-humano, independentemente de onde nasceu. Chato de carteirinha. Um verdadeiro rabugento. Mas não sou mané. Antes de você vir com um papinho de patriotismo, pergunte pra você mesmo o que o seu país faz por você. E não digam que se eu estou incomodado que eu me mude, pois estou incomodado sim mas não vou me mudar. Já tô velho pra fazer esse tipo de aventura. Eu vou mesmo é ouvir um Raul Seixas. Cadê meu compacto com “Aluga-se”… É esse que eu vou ouvir. E depois vou dar uma volta que eu ganho mais.

Ei, Rauzito, tem um óculos escuro pra me emprestar?

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