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Haikai do Walmor – Parte 2

Alguns posts atrás,  falei um pouco sobre o Haikai, essa curiosa forma de poesia japonesa. Andei praticando, e resolvi compartilhar aqui mais um pouco desse meu novo prazer: escrever haikais. Espero que gostem:

“Haikai do Tempo”
Dois mil e nove
O ano está acabando
E eu com isso?

“Haikai do dinheiro”
Dinheiro não compra amor
Dinheiro não traz felicidade
E eu adoro dinheiro!

“Haikai de São Paulo”
Poluição na cidade
Trânsito nas ruas
Alguma novidade?

“Haikai do Ódio”
Odeio a falsidade
Odeio a honestidade
Aliás,  odeio tudo

“Haikai para um Natal feliz para o Walmor”
O Natal está chegando
Pessoas malas pedem caixinha
Eu peço um Caixão!

Bom, depois tem mais! Se eu estiver vivo pra escrever nessa joça, é claro.

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Eu odeio o Natal

Olá. Aqui quem escreve é a esposa do Walmor. Hoje é Natal e ele disse que não vai sair debaixo do edredom por nada. Só pra ir no banheiro. Aí ele pediu, com as palavras dele, pra eu “atualizar aquela joça de blog”. Eu perguntei o que era pra escrever e ele disse assim: “Coloca no título: Eu odeio o Natal”. Eu perguntei o que mais era pra pôr. E ele disse: “Mais nada. Não tenho nada a declarar”. Então é isso.

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O Pesadelo não acabou

Como isso pode acontecer? Não pode ser verdade. E eu que achava que não tinha mais nada pra reclamar sobre essa época do ano. Será que eu deveria virar um urso e hibernar por 6 meses?

Desde o final da semana passada já notei o retorno de um famoso evento dos finais de ano: as confraternizações de firma. Aquela galera enorme se reunindo em churrascarias, aquele clima de oba-oba, amigo secreto, todo mundo bebendo bastante. Um bando de badernistas. Mas enfim, normal, como sempre. Desde que essas churrascarias e essas pessoas estejam longe de mim, não vejo problema. Mas meu pesadelo aconteceu nesta noite de terça, antevéspera de Natal.

Bem perto da minha casa, acreditem, existe uma churrascaria. Bem tranqüila, não tem muito movimento, é sossegada. Mas eis que vou chegando em casa e, já de longe, noto uma grande concentração de gente. Percebo que ocorre ali uma dessas confraternizações. Mas esse pessoal… Esse pessoal estava bem animado. O barulho era alto. Realmente alto. E, na hora em que cheguei, estava rolando um karaokê. Não pode ser. Isso é tortura demais pra mim. Mas o pior ainda estava por vir. Já não bastavam os cantores desafinados e o pessoal animado cantando junto. No auge da alegria coletiva, ouço começar a tocar um grupo de pagode. O povo foi a loucura. Eeeee!!!! Quanta alegria. Aquele pagode se estendeu por algumas horas. E eu, tentando não ouvir aquela balbúrdia. Tentava não ouvir e pensava no que eu poderia fazer. Tacar uma bomba? Não, nem tenho como fazer isso. Chamar a polícia? Não tenho saco pra ligar no 190. E pensava com meus botões: “Mas hoje ainda é dia 23 de dezembro. O fim do ano não é só daqui a uma semana?”

Enfim. Pensei que talvez isso pudesse ser alguma penitência que eu tenho que pagar em vida. Algum castigo. Como de costume, tranquei-me em minha biblioteca, peguei meu saco de pistaches, e, neste dia, coloquei um disco do Nat King Cole no volume bem alto. Os graves que saiam do pagodão ainda chegavam na minha casa, mas consegui fugir um pouco daquela encheção. Durante as músicas, voltei a viajar na imaginação. Afinal, por que eu não posso mesmo ser igual um urso e hibernar por alguns meses? Seria uma boa idéia.

Acho que vou começar a praticar. O problema é escolher que época do ano eu ia querer evitar e passar dormindo. Natal? Ano Novo? Carnaval? Dia dos Pais? Dia das Mães? Dia das Crianças? Não é possível. Odeio todas. Qual será a solução? Será que eu devo morrer?

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Minha foto, gosto musical e o infeliz natal

Apenas alguns assuntos pra compartilhar com vocês:

1) Finalmente consegui colocar uma foto minha no site. É só clicar no meu perfil, na parte superior desta página, e conferir. Como já disse antes, foi a última vez em que deixei alguém me fotografar, faz uns 30 anos. Na verdade fui obrigado. Era pra fazer o crachá num jornal que trabalhei.

2) Não critique a música que eu ouço!!!! Aos fins de semana, costumo tirar meu Karmann-Ghia da garagem, para dar umas voltas. Neste sábado, fui pegar minha esposa no serviço e ela perguntou se eu poderia dar uma carona para uma amiga dela, pois estava chovendo muito. Elas entraram no carro e eu ouvia naquele momento uma fita cassete que gravei há muitos anos e com muito carinho. Uma fita com a seleção das minhas preferidas de Agnaldo Rayol. Coisa fina. A mulher entrou no carro e aparentemente não gostava do cantor. A conversa foi assim:

– Nossa! Agnaldo Rayol? Como você consegue gostar disso?
– Desce do carro.
– O que? – respondeu a mulher, meio sem entender.
– Eu disse pra você descer do carro.
– Como assim?
– Que parte da frase você não conseguiu entender? Vou repetir bem devagar pra ver se você entende: desce…. do….. carro.
– Você tá brincando, né? – disse a mulher.
– Não, eu tô falando sério. Você entra no meu carro, critica a música que eu gosto e me pergunta por que? Porque você é uma toupeira que agora vai andar na chuva só pra aprender a não falar o que não deve.

E foi assim mesmo. A mulher desceu do carro e saiu andando a pé na chuva. Não tive a menor dó. Isso é pra aprender. Tenho o meu gosto e não quero ser incomodado com a sua opinião sobre as coisas que gosto. Guarde sua opinião. É melhor pra você.

3) E só mais uma coisa: o pesadelo continua. O Natal está chegando!!

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Tortura nunca mais!

Tudo começou devido ao vício. Sim. Já sou um tiozinho e, como todos os mortais, tenho meus vícios. Um deles: o pistache. Não vivo sem pistache, da mesma forma que meu papagaio não vive sem semente de abóbora. Passamos o domingo inteiro na minha biblioteca curtindo nossos prazeres. Ouço meus LPs de Noel Rosa e Noite Ilustrada e como meus pistaches, enquanto o Alberto (o papagaio) chacoalha a cabeça e come suas sementes. Mas voltando ao início do post, tudo começou devido ao vício.

Meu pistache acabou. Minha primeira alternativa é sempre comprar pela internet, pra não precisar sair de casa. Entrei no site do supermercado do Abílio Diniz mas não fui bem sucedido. Pelo horário da compra, só iriam entregar no dia seguinte, e eu não podia esperar. Eu pensei, pensei, avaliei, relutei, mas não teve jeito: eu fui ao supermercado!

O movimento era enorme. Pessoas com listas com nomes de crianças conferindo se já compraram presentes pra todas elas. Que absurdo! Muita gente, pra todos os lados. Comprando brinquedos, comprando panetones, comprando nozes e frutas cristalizadas. Um tumulto. E eu só queria o meu pistache. Mas não foi essa muvuca natalina que me incomodou. A tortura veio lá de cima. Dos altos falantes. O que eu tanto temia: o cd de músicas natalinas. Tocava aquela música: “Então é natal…”. E aí tocava outra. Aí tocava um cover do George Harrison (uma heresia fazer isso com o melhor integrantes dos Beatles), tocava um outro cover de What A Wonderful World, mais uns dois temas de natal…. e começava tudo de novo!! O cd voltava pro início e começavam as mesmas músicas. Devido ao tamanho da fila, passei pela tortura de ouvir umas 3 ou 4 vezes as mesmas músicas. Que sofrimento. Como são irritantes. Me deu vontade de procurar a sala de controle e sair quebrando tudo. Não imaginei que uma ida ao mercado seria uma tortura tão grande.

Já citei aqui no blog várias coisas que me irritam no natal. Mas cheguei à conclusão que a pior coisa do natal são mesmo as músicas natalinas. Você concorda comigo? Isso é muito ruim. Ruim de doer. De doer no coração. De doer no cérebro e na alma. Já decidi. Jamais sairei de casa de novo pra algum centro de compras em época de natal. Mesmo se o vício me mandar. Serei forte e resistirei. A não ser que vocês me ajudem. Alguém sabe se já inventaram um tampão de ouvido que realmente funciona?

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Ei, você aí, me dá um dinheiro aí…

Como eu detesto essa época do ano… E, já não bastava todas essas imbecilidades natalinas que tenho citado aqui no blog, ainda tem uma outra que me revolta, me deixa puto da cara, muito, muito mesmo… É a famosa “caixinha de natal”…

É aquela coisa: o guardador de carros vem com a maior cara de pau com uma folha de papel e pede pra você assinar, dizendo que é a tal da caixinha de natal… Aí os garis do lixo tocam na sua casa, e vêm com a mesma história… Aí vem o porteiro do seu prédio também…Todo mundo quer caixinha de natal!!  Imagina quanto dinheiro vai embora da sua carteira se você for dar caixinha de natal pra todo mundo.

Já faz alguns anos que passei a adotar uma tática… Passei a pedir a caixinha de natal também… Mas só pra quem vem me pedir… Então o gari chega, me pede a caixinha de natal e eu peço pra ele também… É isso mesmo… O cara chega com aquele papo:

“Aí patrão, vamos colaborar com a caixinha de natal?”
No que eu já respondo na lata:
“Opa, que bom que você apareceu. Queria te pedir a minha caixinha de natal também”
“Como assim, chefia?”
“Como assim o que? Por que eu não posso querer caixinha de natal também?”Você não quer que eu te dê dinheiro? Eu quero que você me dê dinheiro também. É uma troca. Espírito de Natal. Todo mundo sendo caridoso com todo mundo”.

É claro que nenhuma dessas pessoas me deu algum trocado alguma vez. Toda vez o assunto se encerra. A pessoa fala um “deixa pra lá” e vai embora. Eu não ganho um centavo, mas acabo não dando caixinha alguma de Natal. Mais uma vez eu digo: era só o que faltava. Walmor Salgado sair dando dinheiro pros outros. E ainda mais por causa do Natal. E você? Vai continuar sendo bonzinho até quando? Faça com eu. Seja um rabugento você também.

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