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Sexta-Feira 13

E eis que chegamos a mais uma das datas estúpidas do ano. Hoje é sexta-feira 13. O tão temido dia do azar.

Desculpem-me. Eu nunca consegui acreditar que se eu for assaltado, pode ter sido porque eu passei embaixo de uma escada. Eu jamais seria convencido de que tudo deu errado pra mim num dia só porque um gato preto passou na minha frente. É por essas e outras que, numa sexta-feira 13 de alguns anos atrás, eu resolvi por à prova o máximo de superstições de uma vez.

Comecei o dia colocando primeiro o pé esquerdo no chão. Afinal, como diz um amigo meu, melhor acordar com o pé esquerdo do que sem ele. Depois, deixei um chapéu em cima da cama e fiquei batendo a sola dos meus sapatos uma na outra. Ao sair na rua, procurei uma escada e, é claro, passei embaixo. Tudo mais que pudesse dar azar eu fiz, e isso tudo em plena sexta-feira 13. Meu dia foi chegando ao fim e eu conseguia mostrar pra mim mesmo que estava certo. Que mané azar o que?? Superstição é mesmo coisa para trouxas.

Me preparei então para relaxar um pouco. Coloquei meu pijama, minhas pantufas preferidas e fui repousar na poltrona. Minha campainha tocou. Mas quem diabos iria tocar na minha casa? Eu não tenho amizade com nenhum vizinho. Surpresa!!!! Parentes distantes!! Que eu não via há muito tempo. Aquele povo todo do interior de Minas Gerais. Alguns que eu nem lembro o nome. Tinha até uma tia minha!! Essa deve ser mais velha que a Hebe Camargo! Falaram que estavam de passagem por São Paulo e resolveram fazer uma visitinha. Era só o que me faltava. Ficar fazemdo sala pra parentes.

Depois que eles foram embora, minha mulher veio me falar: “Tá vendo, quem mandou brincar com o azar”. Brincar com azar? Até parece que foi por causa de tudo que eu fiz nesse dia que acabei recebendo esse presentão. Não dou o braço a torcer. Isso tudo foi coincidência. E pra comprovar, me proponho a fazer tudo de novo numa próxima sexta-feira 13. Mas uma coisa eu prometo. Não atendo mais a campainha!!

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Hoje eu estou irritado!

Hoje eu estou irritado. É, você pode até pensar, “mas esse cara tá sempre irritado”, e é isso mesmo, eu estou sempre irritado, então, eu posso começar esse texto dizendo que hoje eu estou irritado. E se eu digo que eu estou irritado, é que eu estou irritado mesmo. Sabe por que? Por nada. Ou melhor, por tudo. Nenhuma coisa em particular me irritou neste sábado de manhã, mas a questão, na verdade, é que tudo me irrita. Aí você pensa: “ih, esse cara acordou com o pé esquerdo”. Não, eu não acordei com o pé esquerdo. Acordei com os dois pés. Eu verifiquei e não estava faltando nenhum. Depois fui pra padaria comprar pão. Que saco. Aquele monte de funcionário falando: “bom dia!”, “bom dia”. Bom dia o que? Me dá um motivo pra dizer que esse dia vai ser bom.

Aos sábados, antigamente, eu gostava de ver futebol. Só pra poder xingar todo mundo que nem um louco. Mas hoje em dia? Não passa um jogo do meu amado Juventus, da Moóca, na televisão. Que preconceito é esse? Só porque o Moleque Travesso não tá na primeira divisão? Garanto que ia dar muito mais audiência do que jogo do Ipatinga. De sábado eu também gostava de ir na feira do bairro. Até o dia em que tomei a faca da mão do vendedor de frutas, coloquei no pescoço dele e falei: “da próxima vez que você falar “mulher bonita não paga, mas também não leva” ou qualquer outra frase com esses trocadilhos imbecis, eu corto o seu pescoço”. Virou a maior confusão. Quiseram me linchar e eu saí correndo. Isso foi mais ou menos em 1973 e depois disso passei a evitar de ir na feira. Lugar perigoso esse. E de sábado, antigamente, passava telectatch na televisão. É. Luta Livre. Gigantes do Ringue. Saudades do Ted Boy Marino e do Fantômas. E hoje? Hoje passa Zorra Total. Como pode? Eu desafio. Dou todo o dinheiro da minha aposentadoria pras criancinhas pobres se aquele programa imbecil conseguir me fazer dar uma risada. Umazinha sequer. Impossível. Bom, é por essas e outras, que hoje em dia, quando vou na padaria no sábado de manhã, vou com um radinho de pilha com fones de ouvido no volume máximo. Curtindo a saudosa rádio Tupi AM. Assim, quando chego na padaria, só vejo os funcionários mexendo a boca. Não escuto mais ninguém me desejando bom dia. Afinal, hoje é sábado e eu sei que ele não vai ter nada de bom.

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