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Um dia de fúria!

No post anterior falei sobre a ojeriza que eu tenho de praia. Mas eu não odeio apenas as praias. O fato é que as férias são capazes de nos proporcionar vários desses momentos desagradáveis. Meus filhos já foram crianças um dia, e lembro-me que, numa certa época, o que eles mais queriam era conhecer a Disneylândia.

– Um parque de diversões? O maior parque de diversões do mundo? Vocês só podem estar brincando comigo!! – Foi o que eu disse na época pra molecada.

Era só o que me faltava. Eu, Walmor Salgado, o rei do mau humor, ir a um lugar também conhecido como parque de diversões. Mas, enfim, vocês sabem como é. A gente é pai e é difícil mesmo falar não pra criançada. E eis então que, num período de férias muito tempo atrás, partimos pra Disney.

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Chegando lá, já dou de cara com um letreiro gigante: “Onde os sonhos se tornam realidade”. Pra mim, aquilo não tinha nada de sonho. Era o começo de um pesadelo. Comecei a andar dentro do tal parque e as crianças queriam ir nos brinquedos. Fomos a uma montanha russa gigante. Ô negócio grande, viu? Só esqueceram de avisar o pessoal que é bom não entrar de barriga cheia nesses lugares. Logo no primeiro looping, uma menina começou a passar mal e vomitou lá de cima. Respingos de vômito caíram no meu terno xadrez e aquilo já estragou meu dia.

Depois fomos em outros brinquedos e achei todos eles muito imbecis. Tinha um cinema em 3D que ficava chacoalhando a cadeira pra dar sensação de ser real. Em mim só deu uma baita dor nas costas. E aí depois tinham os desfiles. Tipo aquelas paradas civis. Meio tipo desfile de carnaval. A maior babaquice que eu já vi na vida. Nem tirei fotos pra não gastar dinheiro de filme e de revelação.

Mas se tudo já ia mal, no fim só piorou. Estava eu distraído, olhando para um pássaro verde que descansava sobre um banco, quando o Pateta chegou perto de mim. Eu não percebi que ele estava vindo e levei um baita de um susto. Que susto que eu levei! Ele emitiu um som meio estúpido, acho que era uma saudação feliz, e aquilo me irritou profundamente. Pra completar, ele ainda pisou no meu pé sem querer. Eu já estava odiando aquele dia no parque, e isso foi a gota d’água. Quando dei conta de mim, já estava correndo atrás do Pateta. Ele achou que era alguma brincadeira e saiu correndo e agitando os braços. E ele dava uns chutinhos no ar enquanto corria. Como se fosse um palhaço de circo. Mas eu não estava brincando. O negócio era sério. Quando alcancei o Pateta, enchi ele de safanões. Demorou um pouco, mas ele percebeu que aquilo não era uma brincadeira. Eu estava mesmo era socando aquele imbecil. Dei tanto safanão que acabou caindo a cabeça dele. E, por trás daquela cabeça de Pateta, havia um homem com cara de imigrante cubano. Continuei socando e as crianças, horrorizadas, começaram a gritar. Elas não entendiam direito. Por que aquele homem estava batendo no Pateta? E porque apareceu uma outra pessoa dentro daquela fantasia?

Só sei que depois de um curto período de tempo, apareceram vários seguranças, que me carregaram pelos braços e me levaram pra uma salinha muito estranha. Tiraram fotos de mim e falaram que iam deixar registrado lá pra eu nunca mais entrasse em nenhum dos parques do complexo Disney World. Falaram que a partir daquele momento eu era uma persona non grata. Yes!!! Consegui o que queria!! Agora, nem que meus filhos queiram, nem se eu ficar louco e quiser ir pra lá, eu não poderei mais entrar!! Perfeito!! Parque de Diversões nunca mais!! Esses lugares deveriam se chamar Parque de Tortura!! Tanto física quanto psicológica. Mas não importa. Isso é tudo coisa do passado. O que importa é que eu sou Walmor Salgado. O cara que, um dia, socou o Pateta!!

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Vamos a la plaia?

Ai, ai, hein… Parece que o ano começou. Se bem que, como me disse o Juan Piñeda, o ano só começa depois do carnaval. Mas a volta às aulas trouxe uma infinidade de gente pras ruas que faz todo aquele sentimento de desgosto voltar a correr em minhas veias. As ruas estão cheias novamente, e minha vontade de me enfurnar em casa passa a ser enorme.

Como me irrita conviver com a civilização. Não sei nem porque tem esse nome, afinal, de civilizada ela não tem nada. E por onde andava essa gente toda que não estava na cidade durante esse tempo todo? Estava no inferno? Não. Resposta errada. Mas estava em um lugar bem parecido com a temível casa do capeta. Esse povo todo estava na praia!!

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E aí eu me pergunto: o que tem pra se fazer de tão bom na praia que faz com que o povo todo se amontoe por lá? Eu acho praia uma das coisas mais nojentas que existe. Faz mais ou menos uns 35 anos que eu não mergulho no mar. Ainda me lembro a última vez em que entrei na água. Falei pra minha mulher: “Vou entrar na água, vou dar um mergulho daqueles”. E ela: “que entrar na água o que!! essa água é suja”. E eu rebati: “suja nada, olha quanta gente nadando”. Ela falou novamente pra eu não entrar mas é claro que eu ganho na teimosia e fui lá pra dentro do mar. Só deu tempo de eu molhar os pés e um baita dum “chokito” já veio rolando na minha direção. Saí da água correndo pra nunca mais voltar. O mar, pra mim, nada mais é que um grande banheiro público e coletivo.

Sem entrar no mar, só nos resta curtir a areia. E alguns poucos minutos são o suficiente pra você ficar com a pele toda sebosa por causa daquele vento melequento que existe na praia. E não dá nem pra por o pé na areia. O risco de pegar micose, bicho de pé, bicho geográfico é grande. Sem contar o perigo de você pisar num caco de vidro deixado por algum farofeiro ou em algum espinho de rosa dessas macumbas que sempre aparecem boiando. E aí tem aqueles vendedores que passam gritando e te dão aquele susto. E tem o pessoal que agita um pagodinho em volta do carro de batidas. E tem o cara do bijou com aquele pandeiro irritante. Só que nada me irrita mais que uma coisa. Quando alguma bola vem parar perto de mim. Pode ser de futebol, de vôlei ou de frescobol. Que raiva que dá. E a fila do chuveirão na hora de ir embora!! Era só o que me faltava.

Essa não é a vida que eu quero para mim. E tem gente que fala que gostaria de viver numa praia. Tem gente que vê beleza e até poesia no mar. Eu vejo apenas sujeira, nojeira e muita amolação. Ah, esqueci… E tem o sol também. E o calor… Ou seja, vocês estão todos loucos. Eu vou ficar sentado num lugar desses, com todos esses problemas que eu já citei, e ainda vou ficar derretendo de calor, suando que nem um porco, embaixo de um guarda-sol e me entupindo de protetor solar? Só se eu estiver caducando. Eu quero mesmo é a minha poltrona. Com as minhas pantufas preferidas, o meu pijama e, se estiver calor, com um ventilador ligado no canto da sala.

Em vez daquela famosa campanha contra as drogas, vou lançar a minha versão: “Praia, tô fora!”

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Tudo de novo

Pois é. Então agora o ano começou pra valer. As folgas e férias coletivas acabaram e todo mundo volta a suas vidas normais. Eu bem que sonhei que vocês todos iam ficar pra sempre na praia e não iam me amolar, mas eu sei que isso é querer demais.

Então vamos agora pra mais um ano. Ano novo, as mesmas merdas… O mesmo trânsito, a mesma barulheira, vendedores de telemarketing me ligando de novo, vizinhos me amolando, amigos me ligando, as contas chegando e eu tendo que pagar, os dias passando, as datas comemorativas se repetindo… Tudo de novo… Mas que cargas d’água!! A vida precisa ser assim tão repetitiva? O ano mal começou e eu já sei quase tudo que vai acontecer nele. Sei que vou escrever constantemente nesse blog e sei que você vai visitá-lo para ler. Sei que você vai me achar um rabugento, mas as vezes vai rir de alguma coisa dessa minha vida peculiar. Sei também que meus dilemas existenciais vão continuar. Continuarei sim sendo esse mesmo rabugento, sem o menor pingo de paciência pra nada. Continuarei recusando convites pra sair, pra me divertir. Continuarei sendo esse bicho do mato suburbano. E vou continuar comendo meus pistaches na biblioteca com meu papagaio no ombro. Inclusive já sei que livro vou ler pra começar o ano. Um livro com as previsões de Nostradamus. Só ele pode me dizer se o dia que tanto espero está longe de chegar. Responda-me, ó Nostradamus! Será que ainda falta muito pro mundo acabar?

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Faça o Walmor feliz…

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Nesta terça senti uma coisa estranha. Fiquei preocupado. Será que deveria ir a um médico? Foi realmente muito estranho. Não sei se foi isso mesmo, mas parece… que eu senti um pouco de bom humor. Mas é claro que não era nada disso. Rapidamente me recompus e percebi o que sentia. Era apenas uma sensação de bem estar. Só isso.

O negócio é o seguinte: sou um morador de São Paulo e, depois que passa toda essa loucura de Natal, a cidade fica completamente vazia!!! É incrível. A cidade realmente esvazia. Menos gente, menos trânsito, menos barulho, menos pessoas, ou seja, muito melhor!! Aí a primeira coisa que a gente pensa: “bem que poderia ser sempre assim”. Já pensou como seria bom? Mas eu sei que é por pouco tempo. Apenas alguns dias. Mas, de qualquer forma, concluo que passado o martírio natalino, chegamos na melhor semana do ano pra quem mora nessa cidade. Esses dias de cidade vazia entre o Natal e o Ano Novo são realmente muito bons.

Aí então pego o jornal pra ler. E vejo as fotos das pessoas nas praias. O que é isso? Milhares e milhares de pessoas se acotovelando por um espaço na areia. E o trânsito que essas pessoas pegaram na estrada. E o trânsito pra se locomover no litoral? E as filas pra tudo? No mercado, nas padarias, nos banheiros. Em todos os lugares. Fila, muvuca, confusão, barulho. Como é possível? A pessoa passa o ano inteiro no maior caos, cheio de gente, de trânsito, de barulho, de tudo, e quando chega a hora do relax, todo mundo se locomove para o mesmo lugar e passa pelas mesmas coisas de novo. E depois dizem que o louco sou eu!

Pois então eu tenho uma idéia. Por que todos vocês, que amam praia, sol e calor não me fazem um grande favor? Já que gostam tanto daí, por que não ficam por aí? É isso mesmo. Não voltem mais. Fiquem aí na praia e não me encham o saco. Façam esse favor. Deixem a cidade mais vazia e a minha vida muito melhor. E quanto aos poucos que ficarem aqui em São Paulo, eu dou um conselho: vão embora daqui vocês também. Será que é possível? Está feito então o apelo. E lançada oficialmente a campanha:

“Faça o Walmor feliz, vá embora já daqui”!

E tenho dito.

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