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Esqueçam que eu existo!

Pelamordedeus!!! O que eu fiz para merecer isso? Por que as pessoas se importam tanto com a minha pessoa? Será que não dá para todos vocês simplesmente esquecerem que eu existo?

Não sou participante daquele reality show imbecil da Rede  Globo, mas vivo num eterno confinamento. Evito sair de casa pelo simples motivo de que não quero contato com as outras pessoas. Mas sempre tem alguém pra me amolar e encher meu saco que já está mais do que cheio há quase 70 anos.

Estou me referindo àqueles moleques malas do tal Site da Firma. Esse povo não tem mais o que fazer da vida? Uns meses atrás, me convidaram para ser colunista no site deles. Mandei um texto para eles mas jamais fui pago por isso. E como eu só faço as coisas por interesse, rompi relações profissionais e não escrevi mais para aquela joça. Mas agora, olhem só a cara de  pau desses moleques: eles querem fazer uma entrevista comigo!

Mas é claro que não vou dar entrevista nenhuma! Eu tenho mais o que fazer! Comecei ontem a engraxar a minha coleção de sapatos e isso tem tomado muito do meu tempo. Já falei que não vou dar essa entrevista, mas eles insistem. Eu pedi que me pagassem um cachê mas eles disseram que não tem como pagar nada pois estão mais duros que a minha bengala de marfim. Poxa vida, aí fica difícil.

Por isso, peço encarecidamente a vocês do Site da Firma: parem de me amolar! Não vou dar entrevista nenhuma.

E vocês, leitores malas? Concordam comigo? Se acham que eu tenho mais é que mandar esses porras sentarem no colo do capeta, digam pra mim. E se acharem que eu devo dar essa entrevista, digam também. Mas já estou avisando que sem dinheiro vai ser bem difícil de eu aceitar. Sou osso duro de roer. E não tenho paciência para essas coisas chatas de perguntas e respostas. Sem contar, é claro, que eu sei bem de uma coisa: Quem, por acaso, se interessaria em saber mais sobre a vida de um velho chato e rabugento como eu?

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Os tempos, ah, eles estão mudando…

Acho que toda pessoa, de tempos em tempos, sofre uma pequena crise de nostalgia.

E essa nostalgia acometeu a minha pessoa nesses dias, quando estava eu ouvindo um pouco de Bob Dylan e sua maravilhosa música “The Times They Are A Changing”.

Já disse aqui nessa joça que Bob Dylan é um dos meus poucos ídolos. Nunca vi um músico tão rabugento e ranzinza. Posso dizer até que ele é perfeito. Mas vamos ao que interessa, que é o assunto desse meu texto: a nostalgia.

Eu sou de um tempo em que tudo acontecia no Centro de São Paulo. Os cinemas na Avenida Ipiranga, as casas de chá para ir com a namorada à tarde, os encontros de jovens na Rua Augusta, a turma da Tropicália infernizando nos hotéis da Avenida São João. Lembro até que foi no Centro de São Paulo que chegou a primeira escada rolante do país. Era uma grande atração.

Hoje, o que vemos nesses locais? Nóias fumando crack no centro da cidade, garotos roqueiros bêbados e andróginos lotando a Rua Augusta e os Emos, muitos Emos por todos os lados. Antes, cruzávamos com Caetano, Gil, Tom Zé, Mutantes e Cauby pelas ruas do Centro. Hoje, vemos Emos, Nóias, pessoas com pressa esbarrando umas nas outras e desempregados em geral.

Eu sou de um tempo em que o futebol era bonito de se ver, o carnaval não era uma putaria e a televisão passava o seriado Vigilante Rodoviário, a novela Beto Rockfeller, e o Mazzaropi tinha um programa de humor.

Hoje em dia? Nem sei o que passa, me recuso a ver tanta baixaria. A televisão acabou pra mim depois que o Alborghetti saiu do ar e o Pedro de Lara morreu.  Às vezes assisto a um pouco de Shoptime, pois a única coisa que gosto de ver são esses programas de televendas.

Eu sou de um tempo em que pedíamos a garota em namoro, demorávamos meses até o primeiro beijo, e pedíamos a mão dela em casamento para o pai, que sempre perguntava quais eram os dotes que você tinha para oferecer.

Hoje em dia? Como diria o Alborghetti, É A MAIOR PUTARIA DO BRASIL! A MAIOR PUTARIA DO BRASIL! Não preciso nem entrar em detalhes sobre a prosmicuidade que impera nos tempos atuais.

Eu sou de um tempo em que o celular, a internet, o GPS e o Twitter não existiam. E a gente conseguia viver mesmo assim! Hoje, parece que ninguém vive mais sem essas coisas. Apesar que eu não tenho e jamais terei Twitter e todas essas coisas relacionadas a redes sociais, pois não quero me socializar com ninguém nesse mundo. Já lido com a minha mulher e com meu papagaio e é mais que o suficiente. Quanto à internet, acho útil pois posso pagar contas e fazer compras sem precisar ir pras ruas e ver outras pessoas.

Eu sou de um tempo bom que não volta mais. Tempo em que os comerciais chamavam “reclame” e eu achava Gomex pro meu cabelo em qualquer vendinha de esquina. Hoje em dia? Como é difícil achar Gomex pra comprar…

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Em Clima de Carnaval!!

Meu-deus-do-ceu-jesus-cristo-padim-ciço… A ficha caiu… Tentei fingir que nada estava acontecendo mas agora nao tem mais jeito… Está nas rádios.. Está nas tvs… Está no sorriso das pessoas… Está no ar…  Sim, não tem como fugir… O Brasil já está em clima de carnaval!!!!!!

carnaval

Eleger o que existe de pior no carnaval é besteira… São tantas coisas, que não tem como escolher uma… Seria a transmissão sem parar dos bailes e desfiles em todos os canais de televisão?? Seria a baderna que as pessoas fazem nas ruas?? Seriam as marchinhas ridículas?? Não sei, mas o que mais me irrita mesmo é a felicidade que contagia as pessoas nesse período… Me irrita esse monte de gente que diz que está “em clima de carnaval”. Como assim “em clima de carnaval”?? Carnaval, pra mim, é que nem o Alborghetti diz: “É a maior putaria desse meu Brasil”…

Enfim, me irrita muito essa alegria generalizada que toma conta do país. Primeiro que alegria, pra mim, já é um pé no saco… Coisa de otário… E aí eu reflito:as pessoas, em geral, se ferram o ano todo, trabalham pra caramba, ganham mal pra caramba, passam o maior perrengue pra pagar as contas, ficam doentes, são assaltadas, brigam em casa, brigam no trabalho, brigam até com a própria sombra, e depois fica todo mundo na maior alegria porque é carnaval?? Depois falam que o louco sou eu.

Bom, mas o que importa é que, a partir desta sexta, estou entrando em mais um dos meus períodos de clausura. Vou me internar na minha cama, ler alguns livros do simpatissíssimo falecido Paulo Francis, comer muito MMs amarelo, muito pistache, ouvir meus discos do Dick Farney e cantar os refrões junto com meu papagaio. Ele adora Dick Farney!! E depois que essa putaria toda acabar, eu volto a ligar a tv e volto à vida normal. Porque, a partir de agora, estou em clima de carnaval. Mas em clima de carnaval de um jeito bem Walmor Salgado de ser…

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