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Rir é o pior remédio

Dizem que rir faz bem pra saúde. Eu não vi a menor graça nessa história. Era só o que faltava agora. Rir de qualquer coisa só porque rir faz bem. Faz favor, né. Me dá um motivo pra rir. Mas um bom motivo mesmo. E não me venha com showzinhos de comédia. Porque, na boa, o humor me deixa de mau humor. Anda muito sem graça. A moda agora é a tal da stand up comedy. Pra mim, isso é patético. Os caras pegam qualquer assunto e contam como as coisas do cotidiano relacionadas a esse assunto são – hipoteticamente – engraçadas. Na TV, um novo fenômeno do stand up começou seu texto: “Banheiros de locais públicos sempre nos deixam em situações complicadas, né?… E a manobra que você tem que fazer pra mandar um número 2 sem encostar na privada?… E o papel pra enxugar a mão, que está cada vez menor… E ainda vem com aviso: “use apenas uma folha”…” Na boa, se isso é uma situação do cotidiano, eu sei disso. Não precisa ninguém me falar. E isso não vai me fazer rir. Por isso que não gosto de stand up comedy. Não precisa me falar sobre situações do cotidiano. Se são do cotidiano, eu já sei por conta própria. E tem gente que paga pra ver esses caras contando essas mesmas histórias num teatro. Ah, faça-me um favor… Só de começar a escrever sobre isso, já fiquei irritado. É isso mesmo. Mas eu não digo que eu nunca dou risada… Algumas coisas me fazem rir… Como por exemplo, ver as pessoas levarem tropicões na rua. Isso é demais!! E a cara de sem-graça que a pessoa faz, tentando se levantar logo e fingir que nada aconteceu… É demaissss!! Pior ainda quando alguma pessoa prestativa chega logo pra ajudar a pessoa que caiu. O acidentado fica mais sem-graça ainda, pois ele passa a ter a certeza que sim, todo mundo viu o capote… Essas situações podem tirar um pouco do meu mau-humor cotidiano.. Como num outro dia, quando escutei uma conversa entre taxistas num ponto… Um senhor branco, barrigudo e bonachão disse pro seu companheiro de trabalho franzino, de pele morena queimada de sol e chapéu branco, no estilo malandro carioca:

– Sabe uma coisa que é patética?

– O que?

– Uma moto batendo na outra. Não tem nada mais patético. Os caras fazem aquela fila no trânsito, aí o da frente vacila e começa aquele strike. Os de trás vão caindo, outros tentam desviar. É patético. – concluiu já com um grande sorriso no rosto o tiozinho bonachão.

Realmente. Deve ser engraçado mesmo. Infelizmente não tive a oportunidade de presenciar uma cena dessas. Mas garanto que quando vir, vou gargalhar em voz alta. Não vai ter como me segurar. Que nem naquela música imbecil do Falamansa, eu prometo rir à toa. Prometo rir no estilo Papai Noel, com a mão na barriga e fazendo ho-ho-ho… Mas enquanto eu não tenho a sorte de ver uma cena dessas, sigo nutrindo a rabugisse do meu mau humor. E você? Ta rindo do que? Tenho cara de palhaço por acaso?

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