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Boca torta e dormente!! Amo muito tudo isso!!

Apesar do mundo ser um grande porre, existem algumas coisas na vida que nos dão um certo prazer…  Eu não gosto de muita coisa, mas também existem algumas que eu gosto… E uma coisa que eu realmente tenho prazer em fazer é ir ao dentista. Fala a verdade: tem coisa melhor que ir ao dentista?

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E eu não gosto do dentista simplesmente por causa da broca. Tudo bem que o motorzinho é mesmo algo muito bacana. Não sei se prefiro o barulho dele ou quando ele começa a abrir um rombo em meu dente. Mas o fato é que a broca produz uma sensação de relaxamento que me faz esquecer completamente do mundo em que vivemos. É algo que todo mundo precisa passar na vida. Fortalece o corpo e a alma. Mas a grande sensação, o que me faz adorar ir ao dentista, com certeza, é a anestesia!!

Que negócio bom. Quem será que inventou a anestesia de dentista? Porque anestesia boa é a anestesia de dentista. Aquela geral, que a gente toma pra operar, não tem a menor graça, pois a gente toma e já dorme… Agora a de dentista não, a de dentista você toma e fica com aquela sensação maluca, com a boca adormecida, meio torta… É demais… O dentista fala pra você não ficar mordendo a bochecha por dentro, pra não ficar se beliscando, mas não tem como… Eu sou completamente viciado nisso.

Pois é, mas esse gosto por anestesia já me causou alguns problemas… Fiquei tão viciado em anestesias que passei semanas e semanas indo direto ao dentista… Eu nem tinha mais cáries para tratar, mas inventava umas dores de dente pra ele mandar ver na agulhada… E esse vício aumentou, e eu comecei a fingir dores dos dois lados da boca, pra levar anestesia dos dois lados! Aí foi o máximo!! Delírio total… Fiquei tão enlouquecido que resolvi que, dali pra frente, só viveria anestesiado… Já pensou? Poder trocar porrada com qualquer um e não sentir dor!! Ficar perguntando coisas no supermercado sem ninguém te entender, afinal você mal consegue mexer a boca!! E quando você não quer falar com as pessoas, usa de desculpa que está anestesiado e não consegue falar direito!!

Eu cheguei pro meu dentista e propus de passar todos os dias lá pra levar anestesia.. É claro que ele não concordou… Saí em busca de outros profissionais um pouco menos éticos, mas a busca foi em vão, ninguém topou também… Aí fui para o mercado negro, e consegui um fornecedor, que me vendia o kit completo, com seringa, agulha e anestesia!! No começo, eram duas doses… Depois foi aumentando, e minha vida se tornou uma grande anestesia!! Eu não sentia mais nada… Andava como um zumbi pelas ruas… Esse vício se tornou uma grande dependência e acabei indo para uma clínica de reabilitação… O tratamento foi complicado, a abstinência foi um problema, mas consegui me libertar do vício.

Hoje, falando francamente, sinto falta daqueles bons tempos… O mundo está tão deprimente que minha vontade é mesmo de me anestesiar…. Tomar umas duas doses e sair por aí, de boca torta e sem sentir nada no rosto… Mas eu sei que não posso fazer isso… Uma primeira dose e já terei uma recaída danada… O jeito mesmo é recorrer ao meu cigarrinho-calmante… Com a minha receita secreta… Cigarrinho esse que, dizem os antepassados, é também remédio pra dor de dente…

Taí, é isso mesmo… Chega de injeção na gengiva… Vou mandar logo essa fumaça pra dentro de meus velhos pulmões e anestesiar logo o corpo e o cérebro de uma vez… E fazer igual ao pintinho daquela piada, que dizia pro gavião: “não tô sentindo nada”… Ô mundão louco… Só assim pra te aguentar!!

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Tortura nunca mais!

Tudo começou devido ao vício. Sim. Já sou um tiozinho e, como todos os mortais, tenho meus vícios. Um deles: o pistache. Não vivo sem pistache, da mesma forma que meu papagaio não vive sem semente de abóbora. Passamos o domingo inteiro na minha biblioteca curtindo nossos prazeres. Ouço meus LPs de Noel Rosa e Noite Ilustrada e como meus pistaches, enquanto o Alberto (o papagaio) chacoalha a cabeça e come suas sementes. Mas voltando ao início do post, tudo começou devido ao vício.

Meu pistache acabou. Minha primeira alternativa é sempre comprar pela internet, pra não precisar sair de casa. Entrei no site do supermercado do Abílio Diniz mas não fui bem sucedido. Pelo horário da compra, só iriam entregar no dia seguinte, e eu não podia esperar. Eu pensei, pensei, avaliei, relutei, mas não teve jeito: eu fui ao supermercado!

O movimento era enorme. Pessoas com listas com nomes de crianças conferindo se já compraram presentes pra todas elas. Que absurdo! Muita gente, pra todos os lados. Comprando brinquedos, comprando panetones, comprando nozes e frutas cristalizadas. Um tumulto. E eu só queria o meu pistache. Mas não foi essa muvuca natalina que me incomodou. A tortura veio lá de cima. Dos altos falantes. O que eu tanto temia: o cd de músicas natalinas. Tocava aquela música: “Então é natal…”. E aí tocava outra. Aí tocava um cover do George Harrison (uma heresia fazer isso com o melhor integrantes dos Beatles), tocava um outro cover de What A Wonderful World, mais uns dois temas de natal…. e começava tudo de novo!! O cd voltava pro início e começavam as mesmas músicas. Devido ao tamanho da fila, passei pela tortura de ouvir umas 3 ou 4 vezes as mesmas músicas. Que sofrimento. Como são irritantes. Me deu vontade de procurar a sala de controle e sair quebrando tudo. Não imaginei que uma ida ao mercado seria uma tortura tão grande.

Já citei aqui no blog várias coisas que me irritam no natal. Mas cheguei à conclusão que a pior coisa do natal são mesmo as músicas natalinas. Você concorda comigo? Isso é muito ruim. Ruim de doer. De doer no coração. De doer no cérebro e na alma. Já decidi. Jamais sairei de casa de novo pra algum centro de compras em época de natal. Mesmo se o vício me mandar. Serei forte e resistirei. A não ser que vocês me ajudem. Alguém sabe se já inventaram um tampão de ouvido que realmente funciona?

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